Organizações de mídia nos EUA buscam impedir restrições de acesso à Casa Branca
CNN, MS NOW e Politico alegam violação da Primeira Emenda e pedem liminar para garantir acesso.
Três organizações de mídia banidas abruptamente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, das dependências da Casa Branca pediram a um tribunal federal que impeça o governo de aplicar a medida até a conclusão do caso. CNN, MS NOW e Politico alegam que a administração tem implementado o banimento de forma "imprevisível e inconsistente" mesmo após uma ordem judicial - incluindo a exclusão seletiva da CNN de tarefas do "pool" de cobertura.
Em petição apresentada na noite desta segunda-feira, 28, os advogados afirmaram que as ações e declarações do governo indicam que a Casa Branca pretende reinstaurar um banimento total assim que tiver oportunidade. Eles pedem uma liminar preliminar para manter o acesso restabelecido enquanto o processo segue, argumentando que a medida é uma violação da Primeira Emenda e causará dano irreparável aos veículos e ao público.
Na semana passada, o juiz federal Timothy Kelly concedeu uma ordem de restrição temporária de duas semanas contra o banimento imposto por Trump, restaurando o acesso dos três veículos. A decisão, porém, expira em 8 de outubro. O novo pedido busca estender esse bloqueio até a decisão final.
O governo Trump voltou a defender o banimento, que começou em 19 de setembro. No domingo, o procurador-geral Todd Blanche afirmou, em entrevista à ABC, que estar na Casa Branca é "um privilégio, não um direito".
A petição também detalha a disputa em torno do "pool" de transmissão - o grupo de emissoras que se revezam para acompanhar o presidente em eventos e viagens. Segundo os autores, a Casa Branca impediu a CNN de atuar como emissora do pool em 26 de setembro. Em resposta, ABC, CBS, NBC e Fox decidiram suspender o pool até a CNN ser reintegrada. A emissora foi autorizada a cobrir um evento com o presidente da China, Xi Jinping, no dia 25, mas, no sábado (26), foi barrada de embarcar no Air Force One para cobrir uma viagem de Trump ao Tennessee. As demais redes se recusaram a indicar uma substituta.
Na decisão da semana passada, Kelly disse ser cético quanto ao argumento do governo de que a medida seria motivada por "segurança nacional". Especialistas apontam que as redes enfrentam um dilema: resistir para defender a liberdade de imprensa ou cobrir eventos relevantes mesmo sob restrições. Fonte: Associated Press.