AVIAÇÃO

Brasil avança na preparação para operações com aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical

Ministério de Portos e Aeroportos reúne órgãos públicos para discutir certificação, infraestrutura e regras para nova tecnologia

Por Ascom / MPor Publicado em 22/09/2026 às 19:12
MPor sedia reunião de alinhamento sobre operação de eVTOL com a EVE. Vosmar Rosa/MPor

Uma viagem entre a Zona Sul de São Paulo e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, que hoje pode levar de uma a duas horas de carro, poderá ser feita em cerca de 12 minutos com uma aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical. A projeção foi apresentada pela Eve Air Mobility, nesta segunda-feira (21), durante reunião no Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) sobre a preparação do Brasil para a chegada dos chamados eVTOLs.
 

O encontro reuniu representantes da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e da Eve, empresa do grupo Embraer. A reunião teve como objetivo alinhar as necessidades do setor para o início das operações e identificar os pontos que precisam ser estruturados no país.
 

De acordo com as previsões apresentadas pela empresa e pela Anac, as primeiras operações comerciais poderão ocorrer em 2028, após a conclusão de certificação, processo que atesta a segurança e a operacionalidade da aeronave.
 

Apesar de serem frequentemente chamados de “carros voadores”, os eVTOLs são aeronaves. A sigla, em inglês, significa electric vertical take-off and landing, ou aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical. A tecnologia permite realizar essas operações sem a necessidade de uma pista convencional.
 


Percurso da zona sul de São Paulo até o Aeroporto de Guarulhos poderá ser feito em 12 minutos.

Preparação vai além da certificação
 

A certificação da aeronave é apenas uma das etapas para que os eVTOLs possam operar no Brasil. Durante a reunião, os participantes discutiram as condições necessárias para a criação de uma infraestrutura adequada, incluindo os chamados vertiportos, locais destinados ao pouso, à decolagem e suporte a operação das aeronaves.
 

Entre os temas discutidos estão o fornecimento de energia, medidas de segurança operacional, como a prevenção e o combate a incêndios, e o investimento nas infraestruturas iniciais. Também foram avaliadas as necessidades de integração da nova operação ao sistema de controle do espaço aéreo.
 

Outro desafio é a formação de um ecossistema que reúna fabricantes, órgãos de controle, reguladores, operadores de aeroportos, empresas aéreas, desenvolvedores de software, e possíveis operadores privados de aeronaves e vertiportos.
 

Aeronave elétrica e com menor nível de ruído

Segundo informações apresentadas pela Eve, a aeronave em desenvolvimento foi projetada para combinar mobilidade aérea com menor impacto ambiental, por meio de propulsão elétrica e zero emissões operacionais locais. O nível de ruído previsto em cruzeiro é inferior a 60 decibéis, o que contribui para uma melhor integração das operações ao ambiente urbano. A expectativa é que a evolução da tecnologia, aliada ao ganho de escala das operações, contribua para ampliar a acessibilidade desse novo modal de transporte ao longo do tempo.
 

A Eve estima ainda que, até 2045, o número de eVTOLs em operação no mundo possa superar 30 mil aeronaves. A projeção dependerá da evolução do mercado, dos avanços tecnológicos, da regulamentação e da infraestrutura necessária para apoiar as operações.
 

A tecnologia também apresenta potencial para transformar a conectividade turística, aproximando visitantes de destinos hoje menos acessíveis por meio de uma solução mais silenciosa e com zero emissões operacionais locais. Essa combinação de mobilidade, sustentabilidade e integração com o território cria oportunidades para o desenvolvimento do turismo de forma mais compatível com a preservação ambiental e a qualidade de vida das comunidades locais.

Ilustração do eVTOL da Eve Air Mobility.

Preparação do Governo Federal
 

Durante a tarde, o Ministério ampliou a discussão para outros órgãos e áreas do Governo Federal. Representantes dos ministérios do Turismo; de Minas e Energia; e da Ciência, Tecnologia e Inovação, além da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), participaram de apresentações sobre a tecnologia.

A Eve apresentou sua perspectiva para o início das operações e os próximos passos para o desenvolvimento do mercado. O objetivo foi mostrar aos diferentes órgãos as necessidades relacionadas à nova tecnologia e discutir como cada área deverá se preparar para sua chegada. A programação também contou com apresentações da Revo, potencial operadora dos eVTOLs em São Paulo, que abordou aspectos relacionados à conectividade, e da Hitachi Energy, que apresentou perspectivas para infraestrutura energética e soluções de carregamento.
 

Mobilidade Aérea Avançada
 

A mobilidade aérea avançada, ou Advanced Air Mobility (AAM), reúne tecnologias que podem ampliar as alternativas de deslocamento, especialmente em trajetos urbanos e regionais. No caso dos eVTOLs, a capacidade de pousar e decolar verticalmente permite criar conexões entre diferentes pontos das cidades e aeroportos.
 

O conceito envolve diferentes áreas, como aviação civil, controle do espaço aéreo, energia, telecomunicações, infraestrutura e transporte. Por isso, a preparação antecipada do poder público é necessária para estabelecer regras, padrões de segurança e condições de operação.
 

O trabalho coordenado pelo MPor busca antecipar desafios regulatórios e de infraestrutura para que, à medida que a tecnologia avance e seja certificada, o país esteja preparado para sua integração ao sistema de aviação.