TRE-RJ aprova candidatura de Antônio Rueda a deputado federal
Decisão unânime ocorreu após diligências não encontrarem provas de milícias em campanha.
Corte concluiu que diligências não encontraram provas de que estrutura de milícias tenha sido usada em benefício da campanha.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) deferiu por unanimidade, nesta terça-feira (22), o registro de candidatura de Antônio Rueda (União Brasil) ao cargo de deputado federal. O julgamento havia sido suspenso em 11 de setembro para a realização de diligências solicitadas pela Corte.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) havia defendido o indeferimento da candidatura, alegando que Rueda teria se beneficiado de uma estrutura político-territorial ligada a organizações paramilitares na Baixada Fluminense. Quatro dias antes do julgamento, o órgão mudou de posição e voltou a pedir a rejeição do registro, afirmando que novas informações obtidas junto a órgãos públicos haviam alterado o quadro analisado anteriormente.
O relator do processo, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, afirmou que as diligências realizadas pelo tribunal não encontraram evidências de que lideranças locais associadas a milícias tenham utilizado mobilização territorial ou coerção em favor de Rueda.
O processo analisou principalmente as manifestações de apoio de Eduardo Araújo e Fábio Augusto de Oliveira Brasil, conhecido como Fabinho Varandão. Os dois foram secretários municipais de Belford Roxo e tiveram candidaturas negadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2024 por envolvimento com milícias. Segundo o relator, as publicações de apoio a Rueda nas redes sociais não foram suficientes para comprovar uma relação entre o candidato e os grupos.
Também não foram encontradas evidências de que Rueda tenha solicitado, coordenado ou financiado ações dos dois ex-secretários ou que tivesse conhecimento delas. As zonas eleitorais de Belford Roxo informaram ainda não ter identificado ameaças, violência, destruição de propaganda, controle territorial, coação de eleitores ou presença de homens armados atuando em favor de Rueda ou do deputado estadual Márcio Canella.
A relação entre Rueda e Canella foi um dos pontos centrais do processo. Rueda transferiu seu domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro em janeiro de 2026 e concorre pela primeira vez a um cargo eletivo. Presidente nacional do União Brasil, ele apareceu publicamente ao lado de Canella e chegou a se apresentar como "o federal do Canella".
Araújo e Fabinho Varandão deixaram os cargos que ocupavam na Prefeitura de Belford Roxo em setembro de 2025. Rueda, por sua vez, nunca exerceu cargo público no município.
O processo também chegou a analisar acusações apresentadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro em uma proposta de colaboração premiada que não foi aceita. Vorcaro afirmou que Rueda e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto teriam facilitado negócios do Banco Master com institutos de previdência e outras entidades e mencionou uma suposta comissão de 10% sobre uma operação de R$ 2 bilhões. O relator, porém, não analisou essas acusações, por considerar que elas estavam fora dos pontos que o tribunal havia determinado investigar.
Apesar do deferimento da candidatura, Salomão Filho ressaltou que a decisão não impede a abertura de futuras investigações eleitorais caso surjam novos fatos ou provas relacionados à campanha de Rueda.