Vereador Jorge Canella é preso com armas em operação da PF
Detenção ocorreu durante a sétima fase da Operação Unha e Carne, na Barra da Tijuca.
Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, conhecido como Jorge Canella (União Brasil), foi preso em flagrante pela Polícia Federal nesta terça-feira (22), após agentes encontrarem dois fuzis e uma submetralhadora em sua residência, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A ação faz parte da sétima fase da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas relacionadas à posse irregular de armas de fogo de uso restrito.
Os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão, na Barra da Tijuca, no Recreio dos Bandeirantes e no gabinete do vereador na Câmara Municipal do Rio. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a PF, o armamento estava em desacordo com a legislação, o que levou à prisão em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Canella e as armas apreendidas foram encaminhadas à Superintendência Regional da PF no Rio. A Câmara Municipal informou que os agentes estiveram no gabinete do vereador para cumprir um mandado de busca e apreensão, mas nenhum bem ou material foi apreendido no local.
O parlamentar também é coronel da reserva remunerada da Polícia Militar. Em nota, a corporação informou que a Corregedoria-Geral acompanhará a investigação e que o caso também será analisado sob o aspecto disciplinar.
A defesa de Canella, representada pelo advogado Gabriel Miranda, afirmou que todas as armas encontradas pertenciam ao vereador e estavam legalizadas. Segundo o advogado, Canella possuía os certificados dos armamentos e o único problema seria uma divergência entre o endereço registrado e o novo endereço da família, após uma mudança recente.
A sétima fase da operação é um desdobramento da etapa anterior, que levou à prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, também por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Na ocasião, a PF encontrou um fuzil calibre 5,56 no carro do político, que posteriormente foi solto por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Apesar de compartilharem o sobrenome, Jorge Canella e Márcio Canella não são parentes. Os dois, porém, mantêm uma relação política de longa data e já se referiram publicamente um ao outro como "irmão que a vida me deu".
A Operação Unha e Carne investiga ainda uma suposta organização criminosa que teria utilizado postos de combustíveis para lavagem de dinheiro. A apuração teve origem em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões em seis anos por uma rede de postos.
Na sexta fase, foram cumpridos mandados em diferentes municípios do estado e apreendidos 11 carros de luxo, além de cerca de R$ 800 mil em espécie em uma empresa em Niterói. Segundo a PF, agentes públicos também são investigados no suposto esquema.
A operação desta terça-feira integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas atuantes no Rio de Janeiro, seguindo diretrizes estabelecidas pelo STF na ADPF 635. A investigação sobre Jorge Canella ainda está em andamento.