POLÍTICA

Lula critica Trump e questiona tarifas dos EUA

Em entrevista à CNN, presidente brasileiro expressa preocupação com interferência nas eleições do Brasil.

Por Sputnik Brasil Publicado em 21/09/2026 às 18:01
Lula critica tarifas dos EUA e pede respeito às eleições brasileiras. © Foto / Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

Em entrevista à CNN nos Estados Unidos, Lula criticou Donald Trump pelas tarifas impostas a produtos brasileiros, afirmando que o Brasil poderá recorrer à reciprocidade caso o país não queira negociar. O petista também chamou Eduardo Bolsonaro de "traidor da pátria" e destacou que Trump não pode interferir nas eleições brasileiras.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está em Nova York para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou que não concorda com a forma de governar do homólogo estadunidense Donald Trump durante conversa com a âncora da CNN Christiane Amanpour. Ao explicar sua crítica, voltou a descrever o republicano como um "imperador".

"Ele governa com a mentalidade de 'sou o mais forte, o mais poderoso, o mais rico, posso tudo e todos os outros devem obedecer'. É a lei do mais forte. Eu não concordo com isso", afirmou Lula ao canal.

O presidente brasileiro também criticou as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos do Brasil e declarou que tais medidas são "baseadas em mentiras". Lula ressaltou que não pretende iniciar uma guerra tarifária com os Estados Unidos e que prioriza a negociação. "Nasci no movimento trabalhista e sindical justamente para negociar e buscar acordos. Farei todos os esforços para negociar", disse.

Se houver uma negativa do governo do país norte-americano, Lula assegurou que o Brasil tomará providências com base na Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso. O presidente também mencionou que será necessário avaliar quais produtos poderiam ser incluídos em uma eventual aplicação da medida contra os EUA.

Apesar disso, o petista reiterou que o Brasil não busca desafiar o país, mas sim defender a soberania de cada Estado e manter uma relação de respeito. "O presidente Trump foi eleito para ser presidente dos EUA. Ele tem o direito de governar os EUA, mas não tem o direito de governar outros países. Ele não tem o direito de impor a sua vontade", acrescentou.

Interferência dos EUA nas eleições do Brasil

Na entrevista, Lula também solicitou a Trump que os Estados Unidos não interfiram nas eleições brasileiras. Segundo o presidente, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) já enviou um alerta sobre o risco da medida, cujo relatório apontou "nível crítico".

A avaliação da agência considera que as ações dos Estados Unidos se intensificaram nos últimos meses. Conforme o órgão, o movimento é associado à estratégia adotada pelo governo de Donald Trump para a América Latina, que, segundo a Abin, tem entre seus objetivos reduzir a presença de potências consideradas rivais de Washington na região.

Mesmo assim, o petista lembrou que Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação diplomática de 203 anos e destacou que o país não é antiamericanista.

Ao comentar a atuação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, Lula o chamou de "traidor da pátria". O presidente acusou o ex-parlamentar de estimular os Estados Unidos contra o Brasil.

"Ele está aqui insuflando os Estados Unidos contra o Brasil. É isso que está acontecendo de concreto. Inclusive com o dinheiro que está vindo para cá, sabe, que logo, logo vai ser desvendado esse mistério do dinheiro do filme do pai do ex-presidente Bolsonaro.", disse Lula.

Por fim, o presidente também afirmou que várias pessoas condenadas no Brasil estão escondidas nos Estados Unidos e tramam contra o país natal. Segundo Lula, o bolsonarismo mantém uma relação mais próxima com o secretário de Estado Marco Rubio.