Haddad apresenta plano de reindustrialização para SP
Candidato do PT condiciona estratégia ao fim da guerra fiscal entre os estados.
O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), apresentou nesta segunda-feira (21) plano de reindustrialização do estado, condicionando a estratégia ao término da competição por incentivos fiscais entre governadores.
"É muito difícil você prometer reindustrialização com governadores de outros estados levando empresas daqui para lá com incentivo fiscal", disse Haddad durante sabatina na Record/Estadão. "Com o fim dessa guerra fiscal, eu vou poder planejar a reindustrialização do estado."
Segundo Haddad, a reforma tributária que entra em vigor em 1º de janeiro criará condições para atrair investimentos de grandes multinacionais. "Trazer data center, trazer indústria de ponta, trazer chinês, trazer americano, europeu", listou.
O candidato também citou acordo entre São Paulo e a União Europeia como oportunidade para atração de empresas. "Vou ser um caixeiro viajante para atrair investimento para cá, para São Paulo", afirmou.
Haddad vinculou a reindustrialização a investimentos em educação. "Vou ter que melhorar a qualidade do ensino médio. Porque onde não tem ensino médio de qualidade, a indústria não se instala", ressaltou, destacando demanda por profissionais preparados para "indústria 4.0".
A estratégia de Haddad contrasta com governo atual de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que não compareceu à sabatina. Segundo última Real Big Time Data, Tarcísio registra 53% no cenário estimulado de primeiro turno, contra 38% de Haddad.
A ausência do governador que busca reeleição ocorre semanas após cancelamento de debate do SBT pela mesma razão. Haddad e Tarcísio concentram quase 90% das intenções de voto de acordo com várias pesquisas.
Haddad também mencionou casos de Sabesp, que registra recorde de reclamações no Procon, e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), com "27% a mais de falhas atestada pelo próprio governo", além de problemas com sistema Free Flow nas rodovias.
"Acho que o papel do próximo governo é rever esses contratos", declarou Haddad.
Questionado sobre novas aparições públicas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes do primeiro turno, Haddad afirmou ser "possivelmente" novamente até duas vezes na capital até votação. Na última sexta (18), o líder brasileiro participou de agenda em Guarulhos, na Grande São Paulo.
'B.O. no Zap'
Haddad citou também projeto de modernização de segurança pública envolvendo registro de boletim de ocorrência por aplicativo de mensagens e sistema de inteligência artificial.
Segundo o candidato, sistema permitiria que cidadãos registrem crimes sem necessidade de deslocamento até delegacia, com assistência de IA para coleta de dados. "Tudo porque eu preciso primeiro que eu não vou ter um call center para atender. Eu vou ter uma inteligência artificial que vai orientar a pessoa.”