ECONOMIA

Intenção de investimento da indústria atinge menor nível desde 2020, aponta CNI

Queda contínua do índice acumula recuo de 3,5 pontos desde maio deste ano.

Por Estadao Conteudo Publicado em 21/09/2026 às 14:41
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O índice que mede a intenção de investimento da indústria caiu 1,3 ponto em setembro, de 52,6 pontos para 51,3 pontos, o menor valor para o indicador desde agosto de 2020, durante a pandemia de covid-19. O dado consta da Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira, 21.

Trata-se da quarta queda consecutiva do índice, cuja sequência negativa ocorre desde maio. De lá para cá, o indicador acumula recuo de 3,5 pontos.

"A queda expressiva da intenção de investimento reflete um quadro que a gente já vem acompanhando de perda de ritmo da atividade industrial. Além disso, há um aumento das incertezas, o que também contribuiu para o resultado", avalia o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

A cautela dos empresários industriais ao projetar novos aportes nos próximos meses ocorre em meio à deterioração das perspectivas. Em setembro, os quatro indicadores de expectativa da indústria recuaram.

- Demanda por produtos: -1,4 ponto, para 51,2 pontos;

- Compra de insumos e matérias-primas: -0,8 ponto, para 50,4 pontos;

- Quantidade exportada: -0,6 ponto, para 48,9 pontos;

- Número de empregados: -0,2 ponto, para 49,2 pontos.

Apesar dos resultados negativos, os índices que medem a expectativa de demanda por bens industriais e de compra de insumos e matérias-primas continuaram acima da linha divisória de 50 pontos. Isso sinaliza que os industriais seguem projetando aumento da demanda por produtos e da aquisição de insumos e matérias-primas nos próximos seis meses, ainda que de forma mais moderada do que em agosto. Por outro lado, as perspectivas de recuo da quantidade exportada e do número de empregados se tornaram mais intensas.

Índice de evolução industrial teve pior agosto desde 2015

O índice de evolução da produção industrial registrou forte queda em agosto, após recuar 4,7 pontos, passando de 51 para 46,3 pontos. Com isso, o indicador deixou o campo positivo - que se situa acima dos 50 pontos -, apontando recuo da produção industrial em relação ao mês de julho.

Segundo o levantamento, trata-se do pior resultado do índice para o mês de agosto desde 2015, quando a economia passava por uma recessão. Além disso, o desempenho foi na contramão do usual para o período. Nos últimos 11 anos, o indicador ficou abaixo dos 50 pontos em agosto apenas duas vezes: em 2025 e agora, em 2026.

Para Azevedo, esse resultado atípico passa pela queda contínua da demanda por bens industriais, mas também por um quadro de incertezas, tanto externas quanto internas. "Não dá para negar que a proximidade das eleições traz um certo grau de imprevisibilidade, fazendo com que as empresas se tornem mais cautelosas na hora de investir, produzir e contratar", explica.

Em meio à queda da atividade industrial, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) recuou 1 ponto porcentual, chegando aos 69%. O porcentual de uso do parque fabril ficou 2 pontos porcentuais abaixo da média para o mês de agosto. Os impactos negativos também recaíram sobre o emprego. O índice de evolução do número de empregados ficou em 48,2 pontos, depois de recuar 0,4 ponto em relação a julho.

Já o índice de evolução do nível de estoques diminuiu 1,5 ponto, de 51 para 49,5 pontos. Ao ficar abaixo dos 50 pontos, o indicador aponta queda dos estoques de produtos finais da indústria na passagem de julho para agosto. Ainda assim, o nível dos estoques continuou em linha com o planejado pelas empresas, uma vez que o índice de estoque efetivo-planejado avançou apenas 0,2 ponto, para 50,4 pontos.

Para esta edição da pesquisa, a CNI consultou 1.403 empresas, sendo 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes, entre 1º e 11 de setembro.