POLÍTICA

Lula deve abordar soberania e críticas a EUA na ONU

Presidente mira 154 milhões de eleitores em discurso durante a Assembleia Geral da ONU.

Por Sputnik Brasil Publicado em 20/09/2026 às 12:53
Lula deve discutir soberania e interferência dos EUA em discurso na ONU, focando no eleitorado brasileiro. © Foto / Palácio do Planalto / Ricardo Stuckert

A duas semanas do pleito, Lula deve usar a abertura da AGNU para reforçar a defesa da soberania e pedir que os EUA não interfiram nas eleições, em um discurso que, segundo diplomatas, terá forte tom eleitoral voltado ao público brasileiro, mesmo diante de líderes mundiais.

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Assembleia Geral da ONU (AGNU) deve assumir um tom eleitoral, segundo diplomatas que falaram à mídia brasileira. Embora fale diante de líderes mundiais, o presidente deve mirar os 154 milhões de eleitores brasileiros, reforçando a defesa da soberania e pedindo que os Estados Unidos não interfiram nas eleições, o eixo central da fala antecipado pelo Itamaraty.

A expectativa é que a tribuna da ONU volte a funcionar como palanque, repetindo o padrão de anos anteriores em que presidentes brasileiros usaram o discurso para exaltar políticas internas. Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington, afirma que Lula deve criticar políticas unilaterais de Donald Trump sem citá-lo nominalmente, inserindo o tema da soberania no centro da narrativa.

O Itamaraty, porém, sustenta que o presidente apresentará iniciativas e visões internacionais, sem fazer um balanço de sua gestão.

Mas um dos pontos altos da ida do mandatário à ONU é a possibilidade de um encontro com Trump, já que o discurso do norte-americano sucede o do brasileiro.

Em 2025, ambos trocaram um abraço e conversaram brevemente, gesto que repercutiu internacionalmente e resultou em uma aproximação, à época vista como improvável, já que a agenda de Trump se aproxima da direita. Neste ano, não há reunião marcada, e diplomatas afirmam que qualquer aproximação vai depender do momento, dada a imprevisibilidade da relação bilateral, marcada por tarifas, aplicação e recuos da Lei Magnitsky, negativas de vistos e acusações de Trump sobre o combate ao crime organizado no Brasil.

Segundo a apuração, Lula deve reiterar que não aceita interferência dos EUA e destacar ações contra o crime organizado, respondendo às críticas de Trump sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Entretanto, temas tradicionais também devem aparecer na fala do presidente, como combate à fome, desigualdade, defesa do multilateralismo e menções a conflitos internacionais como em Gaza, Irã e Ucrânia. A Venezuela, no entanto, em ano eleitoral, deve ser tratada com cautela para evitar desgaste interno.

A estadia de Lula em Nova York será curta, equilibrando a importância do palco global com a necessidade de retornar rapidamente à campanha. A comitiva será enxuta, com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a primeira ministra dos Povos Indígenas e candidata à reeleição para a Câmara dos Deputados por São Paulo, Sônia Guajajara, e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros.

Lula também deve se encontrar com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, após ajustes diplomáticos na agenda. O encontro interessa ao prefeito, que busca projeção no movimento progressista internacional, e ao Partido dos Trabalhadores (PT), que vê nele uma liderança jovem com potencial global, embora uma aproximação possa gerar atritos com Trump em meio a negociações comerciais sensíveis entre Brasil e Estados Unidos.