ELEIÇÕES

Observadores internacionais elogiam processo eleitoral na Rússia

Representantes latino-americanos testemunham a lisura e transparência das eleições para a Duma de Estado.

Por Sputnik Brasil Publicado em 20/09/2026 às 10:01
Observadores internacionais analisam o processo eleitoral na Rússia, atestando sua transparência e lisura. © Sputnik Brasil / Rennan Rebello

As eleições para as 450 cadeiras da Duma de Estado, a câmara baixa do parlamento russo, começaram na última sexta-feira (18). Neste domingo (20), a reportagem da Sputnik Brasil conversou com observadores da América Latina em uma seção eleitoral na região de Michurinsky Prospekt, em Moscou, que compartilharam suas impressões sobre o pleito.

Entre os representantes latino-americanos, o Brasil marcou presença com seus observadores, como a advogada Dina Pérez. Vinda de Natal (RN) e atual vice-presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Norte (TJD-RN), ela compartilhou sua bagagem na área jurídica e, em entrevista, destacou a lisura do processo eleitoral russo.

"Essa eleição me surpreendeu [por ser] muito tranquila e os eleitores comparecem aos colégios eleitorais, apesar de ter aqui quatro tipos de votos: o voto impresso, eletrônico, remoto e pela Internet. O eleitor tem a opção de votar em casa, mas mesmo assim ele sai de sua casa para exercer a democracia, fazer o voto na urna, dentro do colégio eleitoral", disse.

Ainda de acordo com Dina, a coexistência dos sistemas de votação on-line e presencial é um dos pontos mais interessantes do modelo russo. Em sua análise, a viabilidade de um voto digital seguro é um exemplo que demonstra ser uma alternativa viável, a qual poderia servir de inspiração para países como o Brasil como uma modalidade complementar.

"É uma eleição que é de fácil acesso, não só para os eleitores, mas também para os organizadores, pesquisadores e [demais] observadores internacionais. Eu acho que o Brasil pode se inspirar em todo o processo eleitoral russo, mas o que me chamou mais a atenção foi essa questão de ter quatro tipos de modalidades [de votos]. Eu acho que dar ao eleitor essa escolha que torna o processo eleitoral ainda mais democrático", comenta.

Eleitor vota espontaneamente e sem ser intimidado

Outro brasileiro a integrar o grupo de observadores estrangeiros foi o advogado eleitoral Fernando Pinto de Araújo, de Recife (PE). Ele ressaltou que os eleitores não sofrem qualquer indução ao voto e destacou o comparecimento às urnas de forma espontânea, sem a presença de assédio nas ruas.

"Está sendo uma honra observar essa eleição sem nenhuma intervenção ou algum tipo de parcialidade e verificar que o método de escrutínio da Rússia respeita o cidadão eleitor, dando o direito de não ser assediado e também, sobretudo, a forma de votação, onde o eleitor pode escolher o método que lhe dá mais segurança", destaca.

Outro ponto levantado por Fernando é o nível de confiança do eleitorado local no sistema de votação. Segundo ele, essa segurança ficou nítida ao longo do trabalho de acompanhamento realizado em diversas zonas eleitorais.

"O russo me parece e me apresenta um grande raio de confiança no outro e nas autoridades. Isso se observa através dos serviços públicos que são retornados aos seus cidadãos que exercem o seu direito ao voto e ao sufrágio universal e recebem como resposta os serviços que exigem", observa.

Observadores têm acesso a todo processo do pleito

O argentino Lucas Garcia, membro do Centro de Integração e Cooperação entre Rússia e América Latina (CICRAL), que também atua no âmbito da Associação Internacional de Observadores Eleitorais, relatou como tem sido a dinâmica e a rotina de deslocamento entre as diferentes zonas de votação na capital russa.

"Está sendo uma experiência muito enriquecedora, estamos indo a todos os pontos de votação, estamos fazendo de sete a oito por dia, desde a última sexta-feira, e hoje vamos ficar até o fechamento das urnas e a contagem dos votos", discorre.

Garcia também enfatiza que o processo eleitoral transcorre de forma organizada e transparente. Segundo ele, além de observadores de diversas partes do mundo, todas as seções contam com fiscais de diferentes partidos políticos, garantindo a fiscalização direta e a integridade da apuração.

"O processo [eleitoral] está sendo muito bem organizado e em todo centro de votação há fiscais de diferentes partidos e observadores internacionais não apenas da América Latina, mas de todo o mundo. Quando saímos de uma escola, entra um outro grupo de observadores, ou seja, há constantemente a presença de observadores em todos os centros de votação", conclui.

A eleição para a Duma de Estado segue um sistema misto: cada cidadão vota duas vezes. O primeiro voto elege diretamente 225 deputados distritais por maioria de votos locais. O segundo voto é destinado aos partidos políticos, que preenchem as outras 225 cadeiras parlamentares de forma proporcional ao seu desempenho nacional, totalizando os 450 assentos da câmara baixa do parlamento russo.