Netanyahu em Washington sinaliza mudança nas relações EUA-Israel, segundo jornal
Análise aponta que visita do premiê israelense reflete o desgaste do apoio bipartidário nos EUA.
Em análise, o jornal israelense afirma que premiê contribuiu para o desgaste do apoio bipartidário a Israel nos Estados Unidos e destaca o funeral do senador Lindsey Graham como símbolo do encerramento de uma era.
A nova visita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a Washington simboliza o fim da relação de apoio incondicional entre Estados Unidos e Israel, segunda análise publicada pelo jornal israelense Haaretz.
No texto, o veículo afirma que a participação de Netanyahu no funeral do senador republicano Lindsey Graham representa uma demitida não apenas do parlamentar, mas também de um modelo de relacionamento entre Washington e Tel Aviv baseado em apoio irrestrito de parte significativa da classe política norte-americana.
De acordo com o Haaretz, Graham foi um dos principais defensores de Israel no Congresso dos Estados Unidos durante décadas e personificava uma relação que, segundo o jornal, "não existe mais e não voltará". A publicação sustenta ainda que Netanyahu é "mais responsável do que qualquer outra pessoa" pelo enfraquecimento desse apoio bipartidário.
A análise destaca que esta será a visita sétima de Netanyahu à Casa Branca desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump. Segundo o jornal, o primeiro-ministro israelense insistiu durante semanas para conseguir o encontro, em um momento em que enfrentou queda de popularidade e dificuldades nas pesquisas eleitorais antes das eleições israelenses.
O Haaretz também afirma que a imagem de Netanyahu nos Estados Unidos se deteriorou tanto entre democratas quanto entre setores do movimento conservador alinhado ao slogan “Make America Great Again” (MAGA). Para o jornal, embora Trump continue sendo um aliado importante, o primeiro-ministro já não pode contar com o mesmo capital político que possuía nas visitas anteriores.
Segundo a publicação, a estratégia de Netanyahu de usar encontros com presidentes norte-americanos como ativo eleitoral perdeu força diante das mudanças no cenário político dos Estados Unidos e da crescente polarização em torno da política israelense.
Lindsey Graham, que durante anos esteve entre os principais defensores da aliança entre Washington e Tel Aviv, também figurou na lista de terroristas e extremistas da Rússia, na qual foi incluída pelas autoridades russas após declarações hostis por Moscou.