Submarinos australianos do AUKUS podem deixar resíduos nucleares no oceano
Especialistas alertam sobre risco de proliferação de lixo radioativo proveniente de submarinos nucleares.
Especialistas nucleares alertaram, em um inquérito público sobre o acordo AUKUS, que a frota submarina proposta pela Austrália deixaria para trás toneladas de urânio-235, substância utilizável em armas e radioativa por centenas de milhões de anos, suficiente para produzir dezenas de ogivas nucleares, informou um jornal britânico.
O jornal sublinha que, no final de sua vida útil, espera-se que o urânio remanescente dos submarinos nucleares australianos tenha um nível de enriquecimento de aproximadamente 80% — a mesma porcentagem utilizada na bomba atômica que devastou Hiroshima.
"O acordo AUKUS, que envolve a transferência de urânio altamente enriquecido para uma nação sem armas nucleares, estabelece um precedente perigoso de proliferação que outros países, como o Irã, poderiam tentar explorar, enfraquecendo o controle global da propagação de material nuclear utilizável em armas", ressalta a publicação.
Segundo a matéria, esse volume de combustível nuclear é suficiente para produzir mais de uma dúzia de ogivas nucleares por navio. O lixo total dos oito navios poderia produzir material suficiente para mais de 120 bombas atômicas.
Observa-se que esse combustível irradiado permanece perigosamente radioativo e diretamente utilizável para armamento por centenas de milhões de anos, mas a Austrália não tem uma solução de eliminação a longo prazo, apesar de quase três décadas de buscas infrutíferas.
Ao mesmo tempo, resíduos de alto nível acumulados, mais de três toneladas de urânio-235, representarão um risco ambiental e de segurança intratável em escalas geológicas, sem garantia de que qualquer regime de contenção possa isolá-los de maneira confiável por milênios.
Além do pesadelo ambiental e da proliferação, o programa submarino aumenta as tensões regionais, transforma a Austrália em um alvo nuclear primordial e sobrecarrega inúmeras gerações futuras com uma herança tóxica que nenhum país conseguiu gerenciar com sucesso, conclui a reportagem.
Anteriormente, Albert Palazzo, professor australiano, escreveu em seu artigo para uma mídia ocidental que a Austrália ficou dependente dos EUA por causa do acordo AUKUS sobre submarinos nucleares e é praticamente incapaz de influenciar a situação.