POLÍTICA

Lula critica tarifas de Trump e reafirma relação Brasil-EUA

Presidente destaca impacto negativo das novas taxas sobre a economia brasileira e bilateral.

Por Sputnik Brasil Publicado em 26/07/2026 às 12:14
Lula critica tarifas impostas por Trump, destacando os prejuízos à economia brasileira. © Foto / Ricardo Stuckert / Presidência da República

O Brasil acusa que novas tarifas dos EUA têm motivação política e ameaçam a parceria bilateral entre Brasília e Washington. O governo afirma que Trump ignorou negociações e impôs taxas de até 37,5%, "um erro estratégico" que encarece produtos norte-americanos, reduz exportações e fragiliza cadeias de suprimentos.

Segundo uma coluna de opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à mídia norte-americana, ele descreve sua "surpresa" ao ver, há um ano, uma carta de Donald Trump impondo tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, documento que mencionava o ex-presidente Jair Bolsonaro (preso por tentativa de golpe de Estado) e deixava "explícita a motivação política" da medida.

O presidente afirma no texto ter dito repetidamente a Trump que "não precisamos compartilhar a mesma visão de mundo" para manter uma relação benéfica entre as duas maiores democracias das Américas.

De acordo com o texto, negociações bilaterais e decisões da Suprema Corte dos EUA desmontaram a versão inicial das tarifas, mas o governo norte-americano voltou a impor novas taxas entre 12,5% e 37,5%.

Lula disse que isso ocorreu "ignorando dezenas de reuniões" e documentos entregues pessoalmente ao presidente norte-americano. A plataforma independente de monitoramento de políticas comerciais Alerta Global de Comércio teria estimado que Brasil e Turquia se tornaram os países mais tarifados pelos EUA depois da China.

O presidente brasileiro argumentou que as tarifas são "injustas" e um "erro estratégico", pois prejudicariam a economia norte-americana e setores que dependem de insumos brasileiros. Citou que alimentos, calçados, móveis e autopeças ficarão mais caros nos EUA. Ele também afirmou que as exportações brasileiras ao país caíram ao menor nível desde 1997, enquanto o comércio com Europa e China cresceu.

A médio prazo, as tarifas devem "perturbar cadeias de suprimentos profundamente integradas", levando empresas brasileiras a substituir fornecedores norte-americanos, afirmou o presidente. Para ele, isso revela "grande inconsistência" entre o discurso estratégico dos EUA e suas políticas para o Hemisfério Ocidental. A região, afirmou, "não precisa de porta-aviões nem de tarifas punitivas", mas de parceiros previsíveis.

Ele defendeu que iniciativas de investimento, comércio e combate ao crime organizado são o caminho para enfrentar os desafios regionais e criticou "empreendimentos neocoloniais", lembrando que, apesar do histórico de intervenções dos EUA, houve momentos de cooperação, citando a Política da Boa Vizinhança de Roosevelt (1933-1945) e a inclusão de países latino-americanos no G20 por George W. Bush (2001-2009).

Lula afirmou ainda que a única guerra necessária no hemisfério é contra "fome, pobreza e desigualdade", usando como armas "investimento, tecnologia e comércio justo". Disse que tentativas de impor restrições ideológicas à parceria bilateral "não prevalecerão" e criticou declarações recentes de autoridades norte-americanas: "Ninguém nos derrotará com mentiras".

Por fim, ele rebateu alegações de Trump sobre o Brasil, dizendo que são "infundadas". Defendeu a regulação de plataformas digitais, afirmou que o Pix "não discrimina empresas norte-americanas" e destacou avanços no combate ao desmatamento desde 2023.

O presidente concluiu que o Brasil respeita a soberania alheia e exige reciprocidade: "O destino do Brasil cabe somente aos brasileiros determinarem — sem interferência estrangeira ou subserviência".