AGRICULTURA

Conflito no Oriente Médio impacta produção agrícola no Brasil

Preços altos e escassez de fertilizantes complicam adubação de cultivos essenciais.

Por Sputnik Brasil Publicado em 26/07/2026 às 07:25
Conflito no Oriente Médio afeta fertilizantes e produção agrícola no Brasil. © Foto / Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A guerra no Oriente Médio e o encarecimento dos fertilizantes já afetam o Brasil. Produtores podem reduzir a adubação nesta safra, pressionando culturas como arroz, trigo, café e laranja. Com importações em queda e logística instável, o risco é de menor produtividade e custos mais altos no campo.

A guerra no Oriente Médio, iniciada pelos EUA e Israel contra o Irã, e o fechamento intermitente do estreito de Ormuz vêm encarecendo fertilizantes e dificultando o transporte, criando um risco concreto de redução da adubação nas lavouras brasileiras nesta safra.

A região é rota essencial para ureia, amônia e enxofre — insumos dos quais o Brasil depende fortemente — e a instabilidade das cadeias de abastecimento elevou preços e restringiu o acesso dos produtores.

Segundo um jornal de grande circulação no país, com a rota comprometida, as importações brasileiras caíram cerca de 45% entre janeiro e maio, levando indústrias como a Mosaic a reduzir a produção interna. A escassez de enxofre, agravada pela dificuldade de acesso ao petróleo, também limita a fabricação de fertilizantes fosfatados, dos quais o país importa 80%, o que acaba pressionando culturas importantes como arroz, trigo, café e laranja.

A menor adubação tende a reduzir produtividade, qualidade e oferta, embora o impacto dependa de outros fatores. Especialistas destacaram à mídia que o agronegócio enfrentará ainda um forte El Niño, que pode provocar secas e chuvas fora de época, dificultando o desenvolvimento das lavouras. Caso esses choques se confirmem, os efeitos nos preços devem aparecer apenas no ano que vem, quando a safra atual chegar ao mercado.

O custo de produção já pesa sobre agricultores endividados, e muitos podem reduzir o uso de adubo. Segundo analistas consultados pela apuração, retirar totalmente o fósforo seria possível apenas em anos com maior estoque no solo, o que não é o caso. Todas as culturas podem ser afetadas, e as compras para o verão (Hemisfério Sul) já estão atrasadas.

Grandes produtores, porém, devem sentir menos os efeitos, por contarem com tecnologia, planejamento e acesso ao crédito. Já agricultores menores, dependentes do mercado local e com menor margem financeira, tendem a cortar adubação, sobretudo em culturas de baixa rentabilidade como trigo, café, laranja e arroz. Em regiões distantes dos portos, como Rondônia, o risco de atraso na chegada dos insumos é ainda maior, afirma o jornal.

Embora chuvas bem distribuídas possam mitigar parte dos danos, o El Niño torna esse cenário incerto. Enquanto isso, a dependência externa permanece elevada com o Brasil importando cerca de 85% dos fertilizantes que consome.

Em 2026, as compras caíram 1,5% até maio, com queda de 27% na ureia. Após o início do conflito, os preços subiram rapidamente — a ureia avançou 46% nas três primeiras semanas — e voltaram a subir com o novo fechamento da rota.

A insegurança levou grandes fornecedores, como China e Rússia, a restringirem exportações para priorizar seus mercados internos. Com 45% dos fertilizantes brasileiros vindo de países politicamente instáveis, o risco estrutural é alto.

Há investimentos em novas plantas de nitrogênio no Brasil, mas seus efeitos serão de longo prazo, deixando o país exposto às turbulências geopolíticas no curto prazo, conclui a mídia.


Por Sputinik Brasil