SEGURANÇA PÚBLICA

Spray de pimenta é liberado para defesa pessoal de mulheres

Nova lei permite aquisição e uso do equipamento por mulheres maiores de 18 anos em todo o Brasil.

Por Agência Brasil Publicado em 24/07/2026 às 10:44
Mulheres agora podem adquirir spray de pimenta para defesa pessoal, conforme nova lei sancionada.

Mulheres maiores de 18 anos poderão adquirir e portar spray de pimenta para fins de defesa pessoal em todo o território nacional. A medida está prevista na Lei nº 15.474 , sancionada pela Presidência da República e publicada nesta quinta-feira (24), no Diário Oficial da União .

A norma autoriza a comercialização, a aquisição e a posse desses dispositivos para mulheres adultas, desde que os produtos sejam aprovados pelos órgãos competentes.

O objetivo é permitir que o equipamento seja usado para conter temporariamente um agressor em situações de ameaça à integridade física ou sexual.

Pela lei, será considerado aerossol de extratos vegetais o dispositivo portátil de menor potencial ofensivo que utiliza spray de pimenta à base de óleo de capsicum ou outros extratos vegetais autorizados.

As especificações técnicas, a capacidade dos recipientes, a concentração das substâncias e os padrões de segurança serão definidos posteriormente nas normas do Poder Executivo.

Na sanção da lei, foi vetado o trecho do projeto que autorizava o uso da substância por mulheres maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos, mediante autorização expressa de seu responsável legal.

Assim, para comprar o produto, será preciso comprovar ter pelo menos 18 anos, apresentar documento oficial com foto e comprovante de residência fixa, além de declarar não possuir vítimas de crime doloso, homicídio com violência ou grave ameaça.

Os estabelecimentos autorizados a vender o equipamento deverão manter registros de vendas por cinco anos, observando as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) .

Também é necessário fornecer instruções básicas sobre o uso correto do dispositivo e do registrador como informações do comprador em um banco de dados criado pelo governo federal.

A norma determina ainda que o spray será de uso individual e intransferível e não poderá conter substâncias letais ou de toxicidade permanente.

Legítima defesa

O uso do aerossol será considerado lícito apenas em situações de defesa legítima, para repelir agressão injusta, atual ou iminente, conforme previsto no Código Penal. A lei estabelece que a utilização deve ser proporcional à ameaça e interrompida assim que o risco de neutralização.

O texto também restringe recipientes com capacidade superior a 50 mililitros. Esses produtos serão classificados como de uso restrito e destinados exclusivamente às Forças Armadas, aos órgãos de segurança pública, às guardas municipais e às instituições responsáveis ​​pela proteção de autoridades e instalações governamentais.

Capacitação

A legislação cria ainda o Programa Nacional de Capacitação em Defesa Pessoal e Uso de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo para Mulheres. Entre as diretrizes da iniciativa estão a orientação sobre os limites legais da defesa legítima, a divulgação de informações sobre violência doméstica e canais de denúncia, além da promoção de campanhas educativas sobre o uso responsável do spray .

Segundo a lei, a implementação do programa ocorrerá de forma gradual, em conformidade com a regulamentação posterior do governo.