Ex-auditor apontado como chefe de esquema bilionário volta à prisão em São Paulo
Artur Gomes da Silva Neto havia sido solto há uma semana e foi preso em Ribeirão Pires por ordem judicial
O ex-auditor fiscal da Fazenda de São Paulo Artur Gomes da Silva Neto voltou a ser preso uma semana após deixar a prisão. A nova custódia foi determinada pelo juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens da Capital. Ele foi detido na quarta-feira, 10, em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo.
Artur é apontado pelo Ministério Público como líder de um esquema bilionário de corrupção no Fisco paulista. O Estadão informou ter solicitado manifestação da defesa do ex-auditor e que o espaço permanece aberto.
A prisão foi cumprida por volta das 6h. De acordo com o boletim de ocorrência, os agentes arrombaram a porta da residência porque Artur não atendeu aos chamados para abrir o imóvel. Durante a ação, foram apreendidos R$ 10 mil em espécie.
Após ser capturado, o ex-auditor foi levado para a carceragem da Delegacia de Polícia de Ribeirão Pires e, em seguida, encaminhado à Cadeia Pública de Santo André.
Na decisão que autorizou a prisão preventiva, o juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner registrou que Artur foi apontado como “o comandante do maior esquema de corrupção da história da SEFAZ-SP”.
O magistrado afirmou ainda que o ex-auditor “exercia papel central no grupo criminoso destinado a prática de crimes envolvendo a movimentação de expressiva quantia de dinheiro, tratando-se de grupo complexo e com facilidade na reinserção de membros nas atividades ilícitas”.
Segundo a decisão, “as particularidades e complexidade do crime evidenciam o risco concreto de destruição de provas, além da comunicação entre os integrantes do grupo criminoso”.
No dia 28 de maio, o juiz Thiago Baldani Gomes De Filippo, da 1ª Vara de Crimes Tributários de São Paulo, havia revogado um primeiro decreto de prisão preventiva contra Artur Gomes da Silva Neto. Ele é o principal alvo da Operação Ícaro e, conforme investigação do Ministério Público de São Paulo, é suspeito de receber R$ 1 bilhão de gigantes do varejo, entre elas Ultrafarma e Fast Shop.
Artur foi detido pela primeira vez em agosto de 2025. Ele permaneceu 294 dias preso preventivamente até conseguir a substituição da custódia por medidas cautelares.
Réu confesso, Artur chegou a tentar um acordo de delação premiada, que não foi aceito. As investigações o colocam no topo da organização criminosa, como mentor do esquema bilionário de propinas envolvendo a devolução antecipada de créditos de ICMS.
De acordo com os promotores do Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos, o Gedec, Artur teria orientado empresas em pedidos de ressarcimento de créditos de ICMS-ST, reunindo documentos para envio à Secretaria da Fazenda e, em alguns casos, acelerando procedimentos e autorizando internamente os pedidos.