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Congresso em SP debate papel do médico generalista no SUS

Promovido pela AMB no Distrito Anhembi, o encontro reuniu Dráuzio Varella e especialistas para atualizar a linha de frente da saúde em 2026.

Por Redação com Assessoria Publicado em 27/05/2026 às 16:35
Congresso de 2025 Divulgação

A eficiência operacional do sistema de saúde brasileiro, tanto na rede suplementar quanto nas engrenagens do Sistema Único de Saúde (SUS), depende fundamentalmente da capacidade resolutiva de seu primeiro filtro de atendimento. Posicionado na linha de frente das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), o médico generalista assume a missão crítica de diagnosticar patologias precocemente, gerenciar crises agudas e triar casos graves de forma ágil. Para debater a valorização e o aprimoramento técnico desse segmento, a Associação Médica Brasileira (AMB) realizou neste mês de maio o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral (CBMG 2026), no Distrito Anhembi, em São Paulo.

O fórum consolidou-se como o maior ecossistema multidisciplinar voltado à formação continuada de clínicos e recém-formados no país. Ao longo de três dias de imersão, o evento reuniu mais de 400 palestrantes de todas as 55 especialidades médicas regulamentadas, promovendo um canal direto de comunicação entre os centros acadêmicos avançados e os profissionais que lidam com a rotina de alta rotatividade dos plantões periféricos.

Inteligência clínica e grandes nomes no debate

A grade científica do encontro foi calibrada para traduzir diretrizes complexas de saúde em condutas práticas de consultório. Entre os destaques das arenas de discussão, o médico e escritor Dráuzio Varella conduziu a conferência magna sobre a evolução histórica e os desafios demográficos da medicina em solo nacional. Na área de saúde mental e psiquiatria forense, o Dr. Guido Palomba debateu as fronteiras do conceito jurídico e clínico de normalidade mental, enquanto o Dr. Ronaldo Laranjeira apresentou protocolos de triagem e manejo inicial para dependências químicas severas — um dos quadros de maior crescimento de demanda nas redes assistenciais urbanas em 2026.

“O congresso representou um salto qualitativo urgente na troca de experiências entre diferentes vertentes da ciência médica. Conseguimos reunir professores, pesquisadores e clínicos experientes para focar nas patologias de maior prevalência social, como as complicações cardiovasculares, infecções agudas e o manejo de cuidados paliativos na atenção primária”, destacou o presidente da AMB, Dr. César Eduardo Fernandes.

Estrutura tecnológica e impacto na medicina do SUS

Com uma infraestrutura expandida que abrigou oito auditórios simultâneos, 70 estandes de tecnologia médica e workshops do tipo hands-on (treinamento prático direcionado), o fórum somou mais de 200 horas de conteúdo de alta densidade regulatória. O desenho logístico incluiu ainda o suporte estratégico de entidades como o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Para a diretoria técnica da AMB, a atualização sistemática do clínico atua como uma barreira de proteção ao paciente, mitigando a ocorrência de erros médicos decorrentes de condutas obsoletas. "Um profissional sintonizado com as novas evidências científicas é mais assertivo no diagnóstico e reduz exames desnecessários. Levar essa bagagem para o médico que atua nas periferias é o nosso maior motor para aprimorar o atendimento da população", pontuou o Dr. José Eduardo Lutaif Dolci, diretor científico da instituição.

A apresentação e premiação de pesquisas e relatos de casos clínicos durante o evento chancelaram o compromisso da comunidade médica com a ciência baseada em dados reais de território. Ao fortalecer a governança e o conhecimento técnico do médico generalista, a AMB decola em direção a um modelo assistencial mais preventivo e sustentável, onde o cuidado integral ao paciente começa desde o acolhimento na porta de entrada da unidade de saúde.

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