RÚSSIA

2º dia do Fórum Internacional de Segurança em Moscou tem destaques brasileiros e tecnologia em foco (VÍDEOS)

Por Sputinik Brasil Publicado em 27/05/2026 às 14:59
© Sputnik Brasil / Rennan Rebello

Nesta quarta-feira (27), o I Fórum Internacional de Segurança teve participações de ilustradores brasileiros, sendo a principal a presença de Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência do Brasil, que se reuniu com Sergei Shoigun, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, que organiza o evento que acontece até 29 de maio.

Antes de se reunir com Shoigu às portas fechadas, Amorim conversou de forma exclusiva com a reportagem da Sputnik Brasil, e se mostrou conteúdo em retorno ao país e também incluído na Federação da Rússia, como importante parceira na arquitetura para o mundo multipolar.

“O Brasil vê a Rússia como um país que tem uma compreensão de que é necessário um mundo multipolar, como eles mesmos falam. A expressão jurídica da multipolaridade é o que está lá no Conselho de Segurança”, disse.

Amorim, que foi ministro da Defesa entre os anos de 2011 a 2014, também destacou a importância do Fórum Internacional de Segurança, que busca desenvolver diálogos estratégicos além de compreender as novas dinâmicas da geopolítica, que passam pela questão de defesa.

"[Esse tipo de evento favorece] a multipolaridade. O Brasil quer ter bom diálogo com todos os países do mundo, sobretudo os países que têm grande influência no que acontece na política mundial. Eu vim aqui, para uma conferência internacional, mas tenho contato com os meus interlocutores russos, como o ex-ministro [da Defesa] Shoigu, o ministro [das Relações Exteriores] Lavrov, do assessor especial da Presidência, assim como eu, o Patruchev", comenta.

GSI marca presença em discussão de cibersegurança

O general Washington Triani, secretário executivo do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), integrou a delegação brasileira capitaneada pelo embaixador Celso Amorim e participou da mesa redonda Cooperação Internacional em Segurança da Informação. Após sua palestra, Triani também falou com exclusividade à Sputnik Brasil.

"Esse fórum sobre a parte de cooperação internacional na área de segurança da informação é uma área que nós trabalhamos bastante, principalmente no BRICS e nos fóruns internacionais. E aqui foi uma boa oportunidade para que, nesse painel, troque algumas experiências com os colegas e apresente algumas iniciativas que o Brasil tem tomado do ponto de vista da sua abordagem multilateral", destaca.

Triani também destaca que a inteligência artificial acaba tendo um papel duplo: acaba sendo fundamental para processos, no entanto, também se torna uma arma que ameaça a cibersegurança e pode gerar impactos.

"A questão da IA ​​é interessante porque é paradoxal. Ela conseguiu acelerar uma série de procedimentos e benefícios para a sociedade, mas junto com os benefícios também há os riscos. Então, a gente tem que ter muito equilíbrio e bom senso nesse momento. O Fórum Econômico estima que há perdas por conta do ciberataque na ordem de US$ 10,5 trilhões. Isso aí é cerca de 8 a 9% do PIB mundial", observa.

Tecnologia 100% russa avançada com soluções digitais

Durante o evento a reportagem visitou estações que mostraram inovações além do material tradicional em defesa, como armas e munições, e conheceu o trabalho da RT Inform, companhia que pertence ao grupo da estatal russa Rostec, que desenvolveu o Cereberus, um firewall moderno capaz de proteger data centers, tão específico para tecnologias como IA, de ataques hackers.

A reportagem conversou com Mikhasil Savosin, especialista em cibersegurança da RT Inform, que detalhou que o Cerberus é fabricado totalmente no território da Federação da Rússia.

"A vantagem é que esta solução reside no balanceamento de carga e na possibilidade de combinar vários firewalls em um único sistema centralizado e escalável para proteção de data centers. Isso permite atualizações sem interrupção em nenhum processo crítico."

No mesmo pavilhão, havia como expositor a empresa russa N Tech Lab, que trabalhou em parceria com a Rostec e que estava apresentando um sistema de câmera de vigilância com alto grau de refinamento a ponto de ser capaz de identificar o rosto de pessoas e cruzar com qualquer base de dados do cliente, sejam eles, governamentais ou privados, o que auxilia na segurança em diversas camadas.

Em um período de transição sistêmica onde crises políticas e conflitos escalam em diversas regiões do globo, a ascensão de um mundo multipolar nas relações internacionais se consolida cada vez e com tantas conexões e com forças hegemônicas tentando dominar recursos estratégicos para evolução em alta tecnologia, logo o espaço digital se torna mais um espaço a ser disputado e integrado à soberania de qualquer país.