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Crise no estreito de Ormuz causa perda de poder de compra nos EUA, Reino Unido e UE, diz mídia

Publicado em 27/05/2026 às 06:50
Fechamento do estreito de Ormuz eleva preços e pressiona salários em economias centrais. © AP Photo / Alastair Grant

Os salários reais em diversos países centrais começaram a contrair devido ao severo impacto energético da guerra contra o Irã, segundo a mídia britânica.

De acordo com um jornal de grande circulação na Europa, o encolhimento do poder de compra é explicado pelo fechamento do estreito de Ormuz e a consequente elevação dos preços de bens básicos, como gasolina e passagens aéreas, ampliando a diferença entre o crescente custo de vida e os salários dos trabalhadores em algumas das nações que lideram ou apoiam a ofensiva contra o Irã.

Nos Estados Unidos, a inflação interanual voltou a subir e alcançou 3,8% em abril, superando pela primeira vez em dois anos o aumento dos salários por hora, que ficou em 3,6%. Analistas financeiros alertaram à mídia que o conflito já desestabilizou profundamente as cadeias de suprimentos internacionais, prevendo uma pressão inflacionária prolongada e imediata sobre as margens de lucro das empresas e os níveis de contratação.

Uma tendência semelhante está sendo observada no Reino Unido e na União Europeia (UE), onde o crescimento da renda real praticamente estagnou devido a um mercado de trabalho enfraquecido pela falta de novas vagas.

Especialistas da consultoria Pantheon Macroeconomics, conforme relatado pela apuração, projetam que o crescimento real dos salários na zona do euro permanecerá próximo de 0% este ano, com um impacto significativamente negativo esperado em países como a França, devido à sua limitada capacidade fiscal para implementar subsídios.

A situação atual representa um duplo desafio para as autoridades monetárias e os formuladores de políticas, observa o artigo. Por um lado, existe um temor bem fundamentado de que a contração nos gastos das famílias agrave a desaceleração econômica e leve a demissões em massa. Por outro lado, permanece o risco latente de que as demandas por aumentos salariais para combater a inflação acabem perpetuando a espiral de preços altos, mesmo que os custos de energia consigam se estabilizar.

Diante desse cenário, os diversos governos da região adotaram respostas fiscais distintas para mitigar o impacto nas finanças das famílias, explica a publicação.

Enquanto o governo britânico implementou reduções temporárias do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e adiou as tarifas de combustíveis — medidas consideradas insuficientes por centros de pesquisa para evitar uma maior contração salarial —, outros países, como Alemanha e Espanha, estão aplicando salvaguardas por meio da indexação salarial e de pacotes massivos de ajuda pública.

Embora os esforços diplomáticos tenham se intensificado em Doha para negociar a reabertura gradual da rota marítima, os principais serviços de pesquisa econômica concordam que as consequências do conflito já são palpáveis. Embora o impacto atual seja menos severo do que o choque energético vivenciado em 2022, empresas internacionais como a Capital Economics alertam que a persistência da crise aumenta a probabilidade de a zona do euro entrar em recessão técnica em 2026, o que retardará ainda mais a recuperação do bem-estar financeiro dos trabalhadores.


Por Sputinik Brasil