CRISE POLÍTICA

Congresso da Bolívia aprova uso das Forças Armadas para conter protestos

Nova lei amplia poderes do presidente Rodrigo Paz em meio a manifestações e bloqueios que afetam o país

Publicado em 26/05/2026 às 23:51
Manifestantes protestam em La Paz enquanto governo amplia poderes para conter crise na Bolívia. © AP Photo / Freddy Barragan

O Congresso da Bolívia aprovou nesta terça-feira (26) uma lei que autoriza o presidente, Rodrigo Paz, a empregar as Forças Armadas para conter os protestos em massa que exigem sua renúncia, mediante a decretação do estado de emergência no país.

Os parlamentares também revogaram uma legislação anterior que restringia o poder do presidente de decretar estado de emergência, ampliando sua capacidade de resposta diante da crise.

A medida tem como objetivo conter manifestações e bloqueios de estradas que se estendem há semanas, provocando desabastecimento em várias regiões bolivianas.

Na segunda-feira (25), o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou o envio de ajuda humanitária à Bolívia, após conversa telefônica com Rodrigo Paz, atendendo a um pedido do governo boliviano.

No mesmo dia, milhares de manifestantes marcharam pela capital, La Paz, exigindo a renúncia do presidente de centro-direita, que assumiu o cargo em novembro.

As mobilizações também se intensificaram em regiões como Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Chuquisaca, com dezenas de bloqueios rodoviários, especialmente nos acessos à capital.

No sábado (23), forças policiais e militares lançaram a Operação Bandeiras Brancas para tentar desbloquear a rodovia La Paz-Oruro e outras vias estratégicas. A ação resultou em confrontos violentos, sobretudo em Senkata, na cidade de El Alto, onde agentes utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, que resistiram e reforçaram os bloqueios.

Rodrigo Paz atribuiu os protestos à articulação política do ex-presidente Evo Morales, que governou a Bolívia de 2006 a 2019. Morales, líder cocaleiro, foi impedido de disputar as últimas eleições presidenciais após decisão constitucional que restringiu as reeleições.

O governo boliviano também denunciou os protestos à Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando que as manifestações visam "desestabilizar a ordem democrática".

A crise econômica no país é agravada pela escassez de dólares, inflação crescente e dificuldades no abastecimento. Os bloqueios intensificaram a falta de alimentos, medicamentos e combustíveis em La Paz, elevando os preços. Em abril, a inflação anual atingiu 14%.

Por Sputnik Brasil