Guiana vê PIB disparar com petróleo offshore e economista sugere maior parceria com Brasil
Apesar do crescimento recorde, país enfrenta desafios sociais e especialistas defendem aproximação estratégica com o Brasil.
A Guiana, país com cerca de 800 mil habitantes, tornou-se o maior produtor de petróleo per capita do mundo, segundo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), citado pela Bloomberg Línea.
Desde 2015, a produção petrolífera impulsionou uma transformação econômica significativa, levando a Guiana de uma base agrícola para uma economia focada na exploração offshore.
Esse avanço resultou em um crescimento expressivo de aproximadamente 40% do Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, esse desempenho econômico não se refletiu proporcionalmente na qualidade de vida da população.
"Cerca de 41% da população continua vivendo abaixo da linha da pobreza na Guiana, apesar de a renda per capita ter aumentado excepcionalmente", explica Marcelo Simas, professor e especialista em geopolítica das energias.
Entre os fatores que contribuem para esse cenário está o chamado efeito negativo da valorização da moeda, que pode prejudicar a indústria local ao tornar produtos importados mais baratos. Esse fenômeno, aliado à dependência do petróleo, dificulta o desenvolvimento econômico sustentável do país.
Outro ponto de destaque é a baixa participação do Estado nos royalties do petróleo, em torno de 2%, o que evidencia a forte influência de empresas estrangeiras, como a ExxonMobil, na exploração dos recursos.
Especialistas defendem que a diversificação econômica e parcerias estratégicas, especialmente com o Brasil, podem ajudar a equilibrar esse cenário. "A gente devia ser o parceiro número um da Guiana. Primeiro que está perto. Segundo que a gente tem capacidade bélica para oferecer de proteção. [...] A Guiana é mais Brasil do que qualquer outro pedaço da América Latina. Tem mais uma: a gente precisa muito desse petróleo, porque esse que eles produzem, a qualidade desse petróleo, a gente não consegue substituí-lo", destaca o economista Daniel Cavagnari.
Por Sputnik Brasil