Brasil busca destravar Margem Equatorial após sucesso petrolífero de Guiana e Suriname
Região pode conter até 30 bilhões de barris de petróleo e é vista como nova fronteira energética do Brasil.
Em meio às pretensões expansionistas dos Estados Unidos nas Américas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, na última semana, que a Petrobras lidere a exploração da Margem Equatorial.
Considerada a nova fronteira energética do Brasil, a região pode abrigar até 30 bilhões de barris de petróleo, tornando-se estratégica para o futuro do setor.
Em entrevista à Sputnik Brasil, o professor Cláudio Pinho destacou a importância de investir em poços exploratórios na Margem Equatorial. "Você faz mais de 50 estudos, pelo menos 20 opções do que chamamos de lead, uma campanha exploratória em dez poços para, no total, apenas um ser viável. Isso significa que, para alcançar essa conquista, é preciso iniciar várias frentes de estudos", explicou.
Ele lembrou que, há alguns anos, a exploração na Margem Equatorial era praticamente inexistente em países como Guiana e Suriname, que hoje se tornaram potências petrolíferas.
Por outro lado, o economista Pedro Faria afirmou à Sputnik Brasil que, até o momento, a Margem Equatorial ainda está distante de apresentar a "economicidade" das reservas de combustível fóssil já conhecidas e provadas no país. Por isso, defende a atual estratégia de investimentos e concentração de esforços no pré-sal.
Ainda assim, Faria apoia a realização de pesquisas pela Petrobras na região, sobretudo para fortalecer a soberania brasileira e ampliar o conhecimento sobre as potenciais riquezas do território nacional. Ele ressalta que o país mantém vulnerabilidades estruturais no setor: mesmo sendo exportador de petróleo bruto, o Brasil precisa importar parte dos combustíveis refinados consumidos internamente, devido à falta de estrutura de processamento.
"Isso nos expõe a riscos geopolíticos. Portanto, é fundamental pensar nessa nova fronteira de exploração de petróleo, seja na Margem Equatorial, seja em novas frentes do pré-sal", concluiu.