Super El Niño: como o intervalo entre eventos extremos está diminuindo em meio a crises globais
Fenômeno climático pode atingir alta intensidade em 2026, com impactos no Brasil e no mundo, exigindo maior preparação.
O intervalo entre eventos extremos do fenômeno El Niño está diminuindo, impulsionado por um cenário global de policrises, segundo alerta da Organização Mundial de Meteorologia (OMM).
Modelos meteorológicos apontam que o El Niño pode alcançar alta intensidade em 2026, provocando secas e tempestades severas em escala mundial. Com a expectativa de que o fenômeno se inicie já em julho deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o governo federal apresente um planejamento para combater os incêndios decorrentes do tempo seco causado pelo El Niño no centro-norte do Brasil.
O impacto do El Niño, no entanto, não se restringe ao clima. O Comitê de Política Monetária monitora atentamente os efeitos do fenômeno para avaliar um possível corte na taxa Selic, diante das incertezas econômicas.
Para o internacionalista Pablo Saturnino, o Brasil — assim como o restante do mundo — vive um contexto de policrise, marcado pelo esgotamento do modelo neoliberal de desenvolvimento e pelo aumento dos conflitos, o que enfraquece o multilateralismo. "É difícil separar apenas as crises energéticas e climáticas das demais, de dimensão geopolítica. Vejo que a questão energética reflete também um padrão de desenvolvimento muito desigual, com assimetrias de responsabilidade entre corporações e Estados", analisa Saturnino.
Em relação à capacidade do Brasil para enfrentar um possível Super El Niño, Saturnino ressalta que não faltam meios, mas sim interesse político para se antecipar e se preparar para eventos extremos, em vez de apenas reagir a suas consequências.
O professor Augusto José Pereira Filho alerta para o aumento da incidência de incêndios florestais até o fim do ano, impulsionados pelo El Niño. Segundo ele, o Brasil precisa investir mais em meteorologia para mitigar os riscos de eventos extremos. "Os investimentos em proteção civil e meteorologia são limitados no Brasil. Faltam sistemas de monitoramento local e remoto adequados, além de profissionais especializados em eventos extremos e variabilidade climática", afirma o especialista.