DEBATE NO CONGRESSO

Entidades produtivas pedem ao Senado adiamento da PEC 6x1 e criticam tramitação na Câmara

Representantes da indústria alegam que proposta é usada como pauta eleitoral e pode impactar preços e empregos.

Publicado em 26/05/2026 às 18:10
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre Carlos Moura/Agência Senado Fonte: Agência Senado

Entidades produtivas solicitaram nesta terça-feira (26) ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que adie a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que elimina a jornada 6x1 para depois das eleições de outubro. Segundo representantes do setor, o projeto tem sido utilizado como "bandeira eleitoral" pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por parlamentares. O texto deve ser votado nesta semana pela Câmara dos Deputados e, em seguida, seguirá para análise do Senado.

Entre as entidades presentes na reunião com Alcolumbre estavam a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou em coletiva de imprensa que a PEC "está fora da realidade brasileira, foi feita de forma irresponsável e só baseada em bandeira política". Segundo ele, não houve diálogo com o setor produtivo e a medida foi tratada pelo governo apenas como pauta eleitoral, comparando a situação ao chamado "imposto das blusinhas". Skaf criticou ainda o relatório construído entre governo e Câmara, defendendo que mudanças na escala de trabalho sejam definidas por negociação direta entre empresas e trabalhadores. Para ele, o Brasil possui cerca de 2 mil setores econômicos, cada um com suas particularidades, o que exigiria soluções específicas e mais diálogo. "O tema foi tratado na Câmara de forma irresponsável", afirmou, ressaltando a ausência de estudos técnicos sobre os impactos da medida. Skaf disse esperar que o Senado conduza a discussão "com serenidade" e "sem pressa".

"Peça os estudos que a Câmara fez, pergunte para o relator: 'Cadê os estudos?' Peço ao presidente da Câmara os estudos", declarou, referindo-se ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Skaf relatou ainda que Alcolumbre ouviu as preocupações do setor produtivo e reconheceu a complexidade do tema, mas não detalhou se o senador acolherá o pedido. Para o presidente da Fiesp, não haveria problema em adiar a discussão sobre o fim da escala 6x1 por alguns meses.

CNI argumenta que projeto pode gerar inflação

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, também presente à reunião, afirmou que a mudança pode provocar aumento de preços entre 6% e 8% na indústria.

"Dois, três meses depois, após as eleições, os novos preços de repasse do custo vão estar nas prateleiras ou nos serviços. Temos uma estimativa de que, para o setor industrial, isso pode representar um aumento de preço médio entre 6% e 8%", declarou.

Alban também criticou o período de transição de 14 meses previsto no projeto. Pelo relatório, a primeira redução, de duas horas na carga horária semanal, ocorreria 60 dias após a promulgação da emenda. "Qual é a empresa de pequeno ou médio porte que terá capacidade de melhorar seu rendimento, sua produtividade, em 60 ou 90 dias? Nenhuma", questionou o dirigente da CNI.