Ibovespa recua 0,69% e fecha aos 176,5 mil pontos com tensão geopolítica
Volatilidade persiste diante de incertezas entre EUA e Irã; setor financeiro e metálico pressionam índice
O Ibovespa encerrou esta terça-feira (18) em queda de 0,69%, aos 176.589,03 pontos, refletindo o aumento do risco geopolítico, especialmente em relação ao conflito entre Estados Unidos e Irã. O índice chegou à mínima de 175.516,11 pontos e máxima de 177.815,95 pontos ao longo do pregão.
Na segunda-feira, o Ibovespa havia fechado na máxima do dia, impulsionado por expectativas de avanços nas negociações internacionais, que não se concretizaram. O volume financeiro movimentado nesta terça foi de R$ 22,6 bilhões, recuperando-se da baixa registrada na véspera devido ao feriado nos EUA.
No acumulado da semana, o índice registra alta de 0,22%, após avançar 0,91% na sessão anterior. No mês, a queda é de 5,73%, enquanto no ano, o Ibovespa acumula alta de 9,60%.
Entre os setores, o desempenho negativo de empresas do segmento metálico e a correção no setor financeiro pressionaram o índice. As ações do Itaú (PN -0,64%), Bradesco (ON -0,38%, PN -1,27%) e Santander (Unit -1,16%) limitaram as perdas. Já o Banco do Brasil (ON) recuou 2,49%. A Petrobras ON e PN fecharam em alta de 0,41% e 0,09%, respectivamente, mesmo com o Brent subindo cerca de 3,5% em Londres. A Vale ON caiu 0,62%, enquanto Usiminas PNA e Gerdau PN registraram quedas de 3,59% e 2,36%, respectivamente.
No lado positivo, destacaram-se Minerva (+2,61%), Hapvida (+1,61%) e Rede D'Or (+1,42%). Entre as maiores baixas, Braskem (-5,81%), C&A (-4,77%) e Vamos (-3,86%).
No cenário internacional, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) desmentiu informações sobre a retomada da escolta de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz. “O Projeto Freedom não foi retomado, e as forças dos EUA não estão atualmente escoltando navios comerciais pelo Estreito de Ormuz”, informou o Centcom em sua conta oficial no X.
Segundo Bruna Centeno, economista e advisor na Blue3 Investimentos, a alternância de ganhos e perdas do Ibovespa reflete não apenas o quadro geopolítico incerto, mas também a recente troca de comando no Federal Reserve, com Kevin Warsh assumindo a presidência do banco central norte-americano. A pressão sobre os juros futuros permanece diante das dúvidas sobre a alta do petróleo e seus impactos na inflação global.
Nesse contexto, o dólar subiu levemente nesta terça-feira (+0,17%), cotado a R$ 5,0274. Em Nova York, o Dow Jones recuou 0,23%, enquanto S&P 500 e Nasdaq avançaram 0,61% e 1,19%, respectivamente.
“Ontem, os mercados internacionais estavam animados com sinais de avanço nas negociações, mas o otimismo perdeu força. Hoje, o mercado adotou postura defensiva diante da retomada das ofensivas e do aumento das tensões entre EUA e Irã, o que coloca em dúvida um acordo a curto prazo”, afirma Leonardo Santana, especialista em investimentos da Top Gain. Ele ressalta que a alta do Brent reacende temores de pressão inflacionária global e manutenção de juros elevados por mais tempo.