DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Cofecon e Corecon-SP divulgam Carta de São Paulo em defesa da economia solidária e da justiça climática

Documento propõe agenda nacional de transição socioambiental, com fortalecimento de cooperativas, agroecologia, finanças solidárias, trabalho digno e novos indicadores econômicos

Por Assessoria Publicado em 26/05/2026 às 15:19
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Conselho Federal de Economia (Cofecon) e o Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP) acabam de anunciar a Carta de São Paulo pela Economia Solidária, Justiça Climática e Transição Socioambiental, documento que defende a construção de novos caminhos para o desenvolvimento brasileiro, com foco em sustentabilidade ambiental, inclusão produtiva, democracia econômica e redução das desigualdades.

A carta foi elaborada a partir dos debates do Seminário Nacional de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Economia Solidária, realizado nos dias 21 e 22 de maio 2026, em São Paulo. O encontro reuniu economistas, pesquisadores, representantes de instituições, movimentos sociais e organizações comprometidas com uma agenda de desenvolvimento centrada na vida, no trabalho digno e na preservação ambiental.

"Muitas pessoas ainda acreditam que a economia solidária não é produtivamente defensável e que não deve haver nenhuma política ativa, mesmo sabendo que vivemos num país com um dos maiores mercados informais", menciona a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira. "Este debate está no centro das discussões sobre o futuro do desenvolvimento, não só em nosso país, mas em muitos outros, e a economia precisa ser capaz de responder às necessidades reais da sociedade, articulando desenvolvimento, preservação ambiental, justiça social e bem-viver".

O documento parte do diagnóstico de que os principais desafios contemporâneos, como crise climática, insegurança alimentar, precarização do trabalho, perda da biodiversidade, aprofundamento das desigualdades e exaustão dos recursos naturais, não podem ser tratados de forma isolada. Para o Cofecon e o Corecon-SP, essas questões exigem uma transformação estrutural na forma como o país produz, consome, distribui riqueza e organiza suas políticas econômicas.

“A Carta de São Paulo reafirma que a economia precisa dialogar com os limites ecológicos do planeta e com as necessidades reais da população. Não haverá sustentabilidade sem justiça social, assim como não haverá desenvolvimento duradouro sem preservação ambiental”, destaca o documento.

Um dos pontos centrais da carta é o reconhecimento da economia solidária como uma estratégia estruturante para a transição socioambiental brasileira. O texto afirma que experiências de cooperativismo, agroecologia, finanças solidárias, tecnologias sociais, autogestão, educação popular e práticas comunitárias já mostram, nos territórios brasileiros, que é possível construir um modelo econômico voltado à vida e não apenas à acumulação.

A divulgação ocorre em um momento considerado estratégico, após a instituição da Política Nacional de Economia Solidária, pela Lei nº 15.068/2024. A norma reconhece princípios como autogestão, cooperação, comércio justo, gestão democrática, desenvolvimento territorial sustentável e preservação ambiental como bases da economia solidária.

Para o Cofecon e o Corecon-SP, esse marco legal amplia a responsabilidade de instituições públicas, conselhos profissionais, universidades e sociedade civil na construção de políticas econômicas comprometidas com a inclusão produtiva e a sustentabilidade.

A Carta de São Paulo apresenta dez diretrizes para orientar a agenda pública. Entre elas estão o fortalecimento das políticas de economia solidária, com mais financiamento, assistência técnica, incubadoras, compras públicas e apoio institucional a cooperativas e iniciativas comunitárias.

O documento também propõe a incorporação da justiça climática como eixo das políticas econômicas nacionais, reconhecendo que os impactos ambientais atingem de forma desigual territórios e populações vulnerabilizadas. Outro ponto é o incentivo à agroecologia, às cadeias curtas de produção e consumo, à soberania alimentar e às práticas produtivas regenerativas.

A carta defende ainda a valorização do trabalho digno, da proteção social e da economia do cuidado diante das transformações tecnológicas e da automação; o fortalecimento de bancos comunitários, moedas sociais e finanças solidárias; e a construção de indicadores econômico-ecológicos que superem a centralidade exclusiva do PIB, incorporando dimensões sociais, ambientais, culturais e de bem-viver.

O documento também conecta a agenda nacional aos compromissos internacionais do Brasil, especialmente diante dos debates consolidados na COP30, e defende uma transição socioambiental articulada às metas climáticas internacionais, com o país assumindo papel relevante na formulação de soluções globais comprometidas com a vida, os territórios e a justiça climática.

A Carta de São Paulo também ressalta a importância da participação social na formulação, monitoramento e avaliação das políticas públicas ambientais, econômicas e territoriais. O texto destaca o respeito aos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e populações periféricas, reconhecendo seus conhecimentos e modos de vida como fundamentais para o equilíbrio ecológico e para a sustentabilidade das futuras gerações.

Sobre o Cofecon e o Corecon-SP

O Conselho Federal de Economia (Cofecon) e o Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP) integram o sistema profissional dos economistas e atuam na fiscalização e valorização da profissão, no debate econômico e na formulação de contribuições para o desenvolvimento nacional.