TENSÃO NO INDO-PACÍFICO

Taiwan acusa China de realizar segunda patrulha militar próxima da ilha em uma semana

Autoridades taiwanesas denunciam aumento das atividades militares chinesas após cúpula em Pequim; incursões incluem porta-aviões e dezenas de aeronaves.

Publicado em 26/05/2026 às 13:41
Joseph Wu

O secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, Joseph Wu, voltou a acusar a China nesta terça-feira, 26, de intensificar suas ações militares ao redor da ilha, realizando uma segunda patrulha em apenas sete dias.

“Pela segunda vez em uma semana, pouco depois da cúpula de Pequim, o Exército de Libertação Popular da China (PLA, na sigla em inglês) realizou uma 'patrulha conjunta de prontidão de combate' ao redor de Taiwan”, afirmou Wu na publicação na rede social X.

Segundo ele, Taiwan também concordou com a presença do grupo do porta-aviões Liaoning, da Marinha do PLA, no Pacífico Ocidental. Wu classificou o ato como “sem provocação”. “A República Popular da China é a única fonte de instabilidade na região do Indo-Pacífico”, acrescentou.

Antes das declarações de Wu, o Ministério da Defesa Nacional de Taiwan já havia confirmado a detecção de incursões de aeronaves militares chinesas, embarcações da Marinha do PLA e um navio oficial em operação nas proximidades da ilha por volta das 6 horas desta terça-feira, no horário local.

“Das 29 incursões, 24 cruzaram a linha mediana e entraram na Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ, na sigla em inglês) das regiões norte, central, sudoeste e leste de Taiwan”, informou o ministério, ressaltando que as Forças Armadas taiwanesas “monitoraram a situação e responderam”.

A China considera Taiwan parte de seu território, enquanto a ilha se define como uma nação “democrática, sóbria e independente”.

No sábado, 23, Wu já havia alertado que dados de inteligência de Taiwan indicavam a mobilização de mais de 100 embarcações chinesas ao redor da chamada Primeira Cadeia de Ilhas — região estratégica que engloba Taiwan, Filipinas e Japão.

“Nesta região, a China é o único fator que rompe o status quo e ameaça a paz e a estabilidade regional”, afirmou Wu.

Durante uma recente visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim, um dos temas discutidos foi a venda de armas norte-americanas para Taiwan. No fim de semana, Washington anunciou a suspensão dessas vendas, alegando a necessidade de garantir munição suficiente para operações no Irã.