TENSÃO INTERNACIONAL

Risco de conflito armado entre Rússia e OTAN aumenta, alerta vice-chanceler russo

Sergei Ryabkov aponta escalada de ameaças nucleares e impasse diplomático entre Moscou e o Ocidente

Publicado em 26/05/2026 às 12:57
Vice-chanceler russo alerta para aumento do risco de conflito armado entre Rússia e OTAN. © Sputnik / Nina Zotina

O risco de um confronto militar direto entre potências nucleares está crescendo, com consequências potencialmente catastróficas, afirmou Sergei Ryabkov, vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia.

Apesar dessa ameaça, países da OTAN seguem intensificando suas ações contra Moscou, destacou Ryabkov durante discurso no I Fórum Internacional de Segurança.

"Aumenta o risco de um confronto frontal entre a OTAN e nosso país, o que significaria um conflito armado direto entre potências nucleares", alertou o diplomata.

Ryabkov informou ainda que, recentemente, especialistas das cinco potências nucleares participaram de uma reunião em Casablanca, Marrocos, sob coordenação britânica.

O vice-ministro ressaltou que a OTAN vem ampliando ativamente seu potencial nuclear conjunto, lembrando que a aliança se autodeclara, há tempos, como um bloco nuclear.

Mesmo diante desse cenário, Moscou manifesta interesse em intensificar consultas bilaterais com Washington para resolver questões que geram atritos nas relações. Segundo Ryabkov, embora não haja entendimento sobre temas centrais, outros pontos menores têm avançado lentamente.

"É claro que não há nenhum progresso nas principais questões, como o retorno de nossas propriedades diplomáticas, ilegalmente apreendidas, e a retomada do tráfego aéreo direto. Nessas áreas, não há sinais de que Washington esteja se movendo em direção às nossas demandas", declarou Ryabkov a repórteres.

Para o vice-ministro, atualmente não existem pré-requisitos para um diálogo sobre estabilidade estratégica com os EUA, pois seriam necessárias mudanças significativas na política americana em relação à Rússia.

Ryabkov também criticou os esquemas de dissuasão nuclear do Ocidente e a opção de aliados não nucleares dos EUA pela aquisição de armas atômicas, classificando essas alternativas como um "falso dilema de disseminação".

O diplomata destacou a existência de uma terceira via: a construção de uma nova arquitetura de segurança internacional baseada em princípios genuinamente coletivos e mutuamente benéficos. "Mas [essa alternativa] é deliberada e cinicamente ignorada por nossos adversários", afirmou.

Comentando a conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), realizada em Nova York em 27 de abril, Ryabkov garantiu que a ausência de um documento final não compromete a relevância do tratado, considerado a pedra angular da segurança internacional.

"Os países do Ocidente coletivo, focados em defender ferozmente sua política nuclear de críticas fundamentadas, mais uma vez nesta conferência no âmbito do TNP, ficaram surdos a qualquer argumento desse tipo", ressaltou Ryabkov.

O vice-chefe da diplomacia russa também apontou como problema significativo na conferência a falta de consenso sobre a situação do Irã, o que impediu a elaboração de uma avaliação objetiva no relatório final.

Por Sputnik Brasil