Polícia Civil exige acesso total a celular de autor de duplo homicídio no Sertão
Delegado aponta decisão judicial antiga como "genérica" e solicita quebra de sigilo telemático em nuvem, além de autorização para desmontagem física do aparelho
A Polícia Civil de Alagoas submeteu um pedido formal à Justiça para ampliar drasticamente os poderes de investigação sobre o aparelho celular de Gildate Goes Moraes Sobrinho. O homem é o autor dos disparos que mataram dois colegas de trabalho no município de Delmiro Gouveia, no Sertão alagoano. O crime foi registrado na madrugada de quarta-feira, dia 20.
O requerimento foi assinado pelo delegado Flávio Dutra de Melo, integrante da comissão especial designada para elucidar o caso. Segundo a autoridade policial, a autorização judicial concedida anteriormente para a perícia no dispositivo revelou-se "genérica e insuficiente", criando entraves burocráticos e técnicos para a execução integral das diligências necessárias à investigação criminal.
Devassa digital e física
Diante das limitações do despacho original, a nova solicitação da Polícia Civil detalha ações profundas para garantir o recolhimento de provas. O delegado pleiteia o direito não apenas de acessar e extrair o conteúdo do smartphone, mas também de analisar e compartilhar as informações de forma institucional.
A ofensiva foca especialmente no tráfego de dados digitais. Ao solicitar o afastamento do sigilo telemático das aplicações de internet, os investigadores buscam recuperar históricos de conversas e mídias salvos em servidores de nuvem, que possam lançar luz sobre a motivação por trás do duplo homicídio.
Além disso, a polícia se preparou para eventuais barreiras tecnológicas. Em um movimento estratégico, foi pedido o aval para a desmontagem física do aparelho e o acesso direto ao seu circuito integrado (chip de memória), caso os métodos tradicionais de extração de dados falhem ou sejam bloqueados por sistemas de segurança.
Próximos passos
O desfecho do pedido agora depende de uma manifestação jurídica. O Poder Judiciário de Alagoas determinou um prazo de cinco dias para que o Ministério Público Estadual (MP-AL) se posicione sobre os novos termos solicitados pela Polícia Civil antes da decisão final do magistrado.