Irã acusa EUA de violar cessar-fogo e promete resposta a novas agressões
Teerã responsabiliza Washington por ações militares na região e alerta para retaliação
O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo vigente ao realizarem "ações ilegais e provocativas" contra embarques comerciais iranianos na região de Hormozgan, no Golfo Pérsico, nas últimas 48 horas. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (26), Teerã afirmou que “nenhuma agressão sairá sem resposta” e prometeu reagir a qualquer novo ataque.
Segundo o governo iraniano, as ações americanas ocorreram enquanto negociações diplomáticas mediadas pelo rastreamento em curso, o que, para Teerã, evidencia "má-fé" e falta de compromisso de Washington com a estabilidade regional.
O comunicado acusa os EUA de violarem o Artigo 2 da Carta das Nações Unidas e o cessar-fogo firmado recentemente entre as partes. O Irã também responsabilizou diretamente o governo americano por "todas as consequências" resultantes das ações hostis.
“A República Islâmica do Irã não deixará nenhuma agressão sem resposta e não hesitará minimamente em defender o Irã”, destacou o ministério. Teerã ainda declarou que os episódios reforçam a "profunda desconfiança" do povo iraniano em relação aos EUA, tanto no campo diplomático quanto no militar. O texto classifica a atuação americana como “beligerante e criminosa”.
Uma nota divulgada após a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou ter derrubado um drone americano MQ-9 no Golfo Pérsico, alegando que uma aeronave invadiu o espaço aéreo iraniano. O Comando Central dos EUA (Centcom) informou na noite de segunda-feira que realizou ataques de "autodefesa" contra alvos no sul do Irã, incluindo plataformas de lançamento de mísseis e embarcações adequadas para lançar minas marítimas. Mais cedo, o líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou que os EUA não terão mais "um refúgio seguro" para bases militares no Oriente Médio.