Raios gama revelam magnetar por trás de supernova superluminosa inédita
Descoberta inédita feita pela sonda Fermi reforça a teoria de que explosões superluminosas são alimentadas por magnetars recém-nascidos, abrindo novos caminhos para o estudo da física extrema das supernovas.
Uma detecção iniciada de raios gama realizada pela sonda Fermi, da NASA, trouxe novas evidências de que supernovas superluminosas podem ser alimentadas por magnetares recém-nascidos. A descoberta oferece pistas valiosas sobre a física extrema desses eventos raros e inaugura uma nova era para o estudo do colapso de estrelas massivas.
Pela primeira vez, raios gama foram identificados de maneira conclusiva em uma supernova superluminosa, revelando que a explosão foi impulsionada por um magnetar — uma estrela de nêutrons extremamente magnética, formada após o colapso do núcleo de uma estrela massiva.
Supernovas de colapso de núcleo contêm uma quantidade de matéria equivalente a até duas massas solares em um objeto com apenas 20 quilômetros de diâmetro. O resultado é uma estrela de nêutrons tão densa que uma colher de chá de seu material pesaria cerca de 10 milhões de toneladas. Esse processo também acelera a rotação do objeto para centenas de voltas por segundo e potencializa o campo magnético, dando origem aos magnetares — os objetos mais magnéticos conhecidos do universo.
De acordo com o pesquisador Fabio Acero, da Universidade Paris-Saclay, os astrônomos buscaram há quase duas décadas sinais de raios gama em supernovas. Apenas agora, com a análise do SN 2017egm, foi possível registrar uma detecção inequívoca. A explosão ocorreu há cerca de 440 milhões de anos-luz, na galáxia NGC 3191, sendo uma das supernovas de colapso de núcleo mais próximas já observadas.
A equipe analisou as seis supernovas superluminosas mais próximas registradas nos primeiros 16 anos da missão Fermi, e apenas a SN 2017egm enviou emissão de raios gama. Essa descoberta reforça a hipótese de que algumas supernovas podem ser tão luminosas em raios gama quanto em luz visível, ampliando as possibilidades de pesquisa.
Uma das principais teorias para explicar o brilho extremo dessas explosões é que elas são alimentadas por magnetares com campos magnéticos mil vezes mais intensos que os de estrelas de nêutrons comuns. Comparando os dados ópticos e de raios gama da SN 2017egm com modelos teóricos de magnetares recém-formados, os cientistas encontraram forte compatibilidade.
O modelo sugere que o magnetar emitiu uma nuvem de elétrons, pósitrons e antipartículas — conhecida como nebulosa de vento de magnetar — capaz de produzir e absorver raios gama. Quando essas partículas se aniquilam, liberam energia que atravessa os detritos da supernova e se transformam em luz visível, explicando o brilho excepcional das características.
Após cerca de três meses do colapso, os detritos se expandem e esfriam, permitindo que os raios gama escapem. Embora o modelo explique bem a luminosidade inicial, os pesquisadores acreditam que eventuais irregularidades posteriores podem ser causadas por fragmentos antigos caindo de volta sobre o magnetar.
Com informações da Sputnik Brasil