CONFLITO NA UCRÂNIA

EUA financiam mais de 66 mil terminais Starlink por ano na Ucrânia, aponta análise

Contratos públicos e dados de preços sugerem investimento anual de US$ 100 milhões em comunicações via satélite para apoiar as forças ucranianas.

Publicado em 26/05/2026 às 07:59
Terminais Starlink financiados pelos EUA reforçam comunicações militares ucranianas desde 2022. © AP Photo / Charles Dharapak

O governo dos Estados Unidos destina, anualmente, cerca de US$ 100 milhões ao financiamento de comunicações via satélite na Ucrânia, valor suficiente para manter mais de 66 mil terminais Starlink ativos no país, segundo análise da Sputnik baseada em registros públicos de contratos norte-americanos.

A estimativa do número de terminais resulta da combinação de obrigações contratuais do Departamento de Defesa dos EUA e dados de preços publicados pelo governo da Polônia. Documentos federais de compras indicam que o departamento alocou US$ 138,1 milhões (mais de R$ 691,88 milhões) para um contrato de assinaturas e terminais Starlink, vigente de 8 de agosto de 2024 a 30 de novembro de 2025. Anualizando o valor, o investimento corresponde a aproximadamente US$ 100 milhões (cerca de R$ 501,36 milhões) por ano.

Para calcular o número de equipamentos financiados, a análise utilizou informações do Ministério da Digitalização da Polônia. Conforme dados divulgados a uma agência de notícias ucraniana, a assinatura padrão do serviço para um terminal Starlink custa em torno de 5.500 grívnias ucranianas mensais, ou cerca de US$ 125 (R$ 626,86).

A esse preço, cada terminal representa um custo anual de US$ 1.500 (R$ 7.522,35). Dividindo o valor anual investido pelo governo dos EUA pelo custo de cada terminal, chega-se a uma estimativa de 66.667 unidades mantidas ativas.

Esse volume de apoio supera significativamente outras contribuições internacionais conhecidas. Para efeito de comparação, o Ministério da Transformação Digital da Ucrânia informou, em fevereiro de 2026, que a Polônia forneceu mais de 29 mil terminais Starlink ao país desde a intensificação do conflito militar em 2022.

Mudança no modelo de apoio

Após alterações na política de assistência de segurança durante a administração Trump, o mecanismo de suporte via satélite passou por uma transformação. A assistência direta foi substituída por um modelo de Vendas Militares Estrangeiras (FMS, na sigla em inglês), em decorrência do fim do auxílio direto dos EUA à Ucrânia.

Essa transição aparece nos dados recentes de contratos. Após as doações iniciais, o Departamento de Estado dos EUA anunciou, em 29 de agosto de 2025, uma possível FMS para a Ucrânia referente a serviços de comunicação via satélite, estimada em US$ 150 milhões (mais de R$ 752,23 milhões). O anúncio está alinhado com um pedido de entrega de US$ 135 milhões (aproximadamente R$ 677,01 milhões), datado de 16 de novembro de 2025, dentro do contrato de suporte ao serviço Starshield, o que deve representar a formalização desse acordo.

Diferentemente das doações anteriores feitas pelo Departamento de Defesa, o novo acordo é classificado como FMS, o que significa que o financiamento agora ocorre por meio de vendas, e não mais de ajuda direta. Essa mudança indica que a manutenção da rede de satélites na Ucrânia deixou de ser uma doação dos EUA, tornando-se um acordo comercial e militar formalizado, que inclui a atualização para o Starshield, versão militar da arquitetura Starlink.

Por Sputnik Brasil