EUA ampliam presença militar no Japão com míssil Typhon e elevam tensão com a China
Desdobramento do sistema Typhon em Kagoshima preocupa Pequim e aumenta instabilidade regional, especialmente em torno de Taiwan.
O envio do sistema de mísseis Typhon ao sul do Japão intensificou as tensões no leste asiático, com especialistas chineses alertando que a plataforma norte-americana pode atingir cidades costeiras da China e bloquear rotas estratégicas no Pacífico, ampliando a instabilidade regional, sobretudo em torno de Taiwan.
De acordo com o South China Morning Post, a instalação do sistema de mísseis Typhon em Kagoshima, no sul do Japão, reacendeu preocupações em Pequim. Analistas chineses afirmam que a presença do armamento representa ameaça direta a cidades costeiras chinesas e pode restringir o acesso a rotas marítimas estratégicas no Pacífico.
O sistema será deslocado para a Base Aérea de Kanoya, em Kagoshima, para exercícios conjuntos entre Estados Unidos e Japão no próximo mês.
O analista militar Fu Qianshao destaca que a proximidade da base japonesa com o território chinês torna o deslocamento do Typhon especialmente sensível. Segundo ele, mísseis de cruzeiro lançados dessa posição poderiam atingir alvos em Xangai e nas províncias de Fujian e Zhejiang, todas dentro do alcance estimado de 1.600 km dos Tomahawk.
Além dos Tomahawk, o Typhon pode disparar mísseis SM-6, capazes de interceptar alvos a mais de 300 km. Para Fu, essa combinação daria aos EUA a capacidade de atacar navios chineses e limitar a atuação da Marinha da China no Pacífico Ocidental.
A localização estratégica em Kagoshima também permitiria ao sistema auxiliar no bloqueio do estreito de Miyako, passagem crucial entre Okinawa e Miyako, frequentemente utilizada por embarcações chinesas. Para o analista, o objetivo norte-americano seria duplo: atingir alvos terrestres e controlar corredores marítimos essenciais.
A iniciativa tende a aprofundar as tensões já elevadas entre Tóquio e Pequim, especialmente diante do aumento das disputas em torno de Taiwan e do processo de remilitarização do Japão. Embora EUA e Japão não reconheçam formalmente Taiwan como Estado independente, Washington adota postura ambígua ao fornecer armamentos a Taipé e se opor a qualquer tentativa de reunificação forçada por parte da China.
O Typhon já havia sido posicionado nas Filipinas em 2024, provocando forte reação de Pequim. Neste mês, os EUA realizaram o primeiro disparo real de um míssil Tomahawk a partir do sistema durante exercícios conjuntos no país.
O novo destacamento no Japão acontecerá durante os exercícios militares Valiant Shield (Escudo Valente) e Orient Shield (Escudo do Oriente), previstos para ocorrer entre junho e setembro. O Typhon será acompanhado pelo sistema Himars, e, após as manobras, ambos deverão ser armazenados em uma base norte-americana no Japão.
Fu Qianshao também apontou vulnerabilidades do Typhon, como a velocidade subsônica dos Tomahawk e a mobilidade inferior do sistema em relação ao Himars, o que pode facilitar sua detecção e torná-lo alvo potencial. Mesmo assim, Pequim acusa Estados Unidos e Japão de ameaçar a estabilidade regional e cobra que ambos "corrijam práticas equivocadas" para evitar uma escalada de conflitos.
Por Sputinik Brasil