CRISE NA AMÉRICA DO SUL

Lula anuncia envio de ajuda humanitária à Bolívia

Presidente brasileiro responde a pedido de Rodrigo Paz diante de protestos e bloqueios que causam desabastecimento no país vizinho.

Por Sputinik Brasil Publicado em 25/05/2026 às 19:38
Lula anuncia envio de ajuda humanitária à Bolívia em resposta à crise e bloqueios no país vizinho. © Foto / RICARDO STUCKERT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta segunda-feira (25) que enviará ajuda humanitária à Bolívia após conversa telefônica com o presidente boliviano, Rodrigo Paz. A iniciativa atende a um pedido de Paz diante da grave crise causada por protestos e bloqueios de estradas, responsáveis pelo desabastecimento em diversas regiões do país andino.

Segundo o Itamaraty, a solicitação ocorreu devido à intensificação das manifestações desde maio, promovidas por trabalhadores, professores, camponeses, indígenas, transportadores e sindicatos ligados à Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB), que protestam contra o governo.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores informou que Lula reiterou solidariedade ao governo e ao povo bolivianos, destacando a importância do respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito.

Lula também defendeu que governo e movimentos sociais evitem a violência e priorizem o diálogo para superar divergências e preservar a paz social.

As mobilizações se concentram em regiões como Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Chuquisaca, com dezenas de bloqueios rodoviários que dificultam principalmente o acesso à capital, La Paz.

No sábado (23), forças policiais e militares realizaram a Operação Bandeiras Brancas para liberar a rodovia La Paz-Oruro e outras vias estratégicas. A operação resultou em confrontos violentos, especialmente na região de Senkata, em El Alto, onde agentes usaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, que resistiram e reforçaram os bloqueios.

Parte dos manifestantes se opõe às reformas econômicas do governo e acusa o presidente Paz de ignorar demandas relacionadas a salários, terras, saúde e educação.

Rodrigo Paz, há seis meses no cargo e enfrentando a pior crise econômica boliviana em quatro décadas, atribui os protestos à articulação política do ex-presidente Evo Morales.

Morales, que governou o país entre 2006 e 2019, foi impedido de disputar as eleições presidenciais do ano passado após decisão constitucional que limitou as reeleições.

O governo boliviano denunciou as manifestações à Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando que o objetivo é desestabilizar a ordem democrática.

A crise econômica é agravada pela escassez de dólares, alta da inflação e dificuldades no abastecimento. Os bloqueios recentes causaram falta de alimentos, medicamentos e combustível em La Paz, elevando ainda mais os preços. Em abril, a inflação anual chegou a 14%.