EDUCAÇÃO

Professores da USP entram em greve em apoio aos estudantes e por valorização salarial

Docentes paralisam atividades em solidariedade aos alunos e reivindicam reajuste salarial acima da inflação

Publicado em 25/05/2026 às 18:57
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Professores da Universidade de São Paulo (USP) decidiram, nesta segunda-feira (25), aderir à greve em apoio aos estudantes, que já estão paralisados desde abril. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral convocada pela Associação de Docentes da USP (Adusp).

Os docentes reivindicam reajuste salarial e valorização profissional. Além disso, defendem a retomada das negociações da reitoria com os alunos, incluindo avanços no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe) e a não criminalização do movimento estudantil.

O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) propôs reajuste de 3,47%, correspondente à inflação dos últimos doze meses medida pelo IPC-Fipe. A Adusp, porém, apresentou contraproposta: reajuste pelo IPCA, calculado pelo IBGE, que foi de 4,39% no período, acrescido de 3% como início da recuperação das perdas salariais, tendo como referência o poder de compra de maio de 2012.

Durante a assembleia, chegou a ser sugerida uma paralisação apenas na terça-feira (26), seguida de indicativo de greve. No entanto, prevaleceu a decisão de iniciar a greve imediatamente.

Demanda estudantil

Os estudantes aprovaram a paralisação em 14 de abril, liderados pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). O movimento acompanhou a mobilização dos servidores, que também cruzaram os braços no mês passado contra uma gratificação destinada exclusivamente aos professores.

Após negociações, os servidores conquistaram avanços salariais e encerraram a paralisação. Já os estudantes mantiveram a greve, focando em suas próprias reivindicações.

A principal demanda estudantil é o reajuste do Papfe, que atualmente oferece benefícios entre R$ 335 (para residentes em moradia estudantil) e R$ 885 (auxílio integral). A USP propôs reajuste pelo IPC-Fipe, elevando o auxílio integral para R$ 912 e o auxílio parcial para R$ 340. Os estudantes, contudo, consideram a proposta insuficiente e defendem reajuste para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.

Além disso, criticam questões estruturais, como a gestão do restaurante universitário ("Bandejão"), a moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário (HU), que, segundo manifestantes, perdeu cerca de 30% dos funcionários na última década.

A reitoria realizou três rodadas de negociação com os estudantes, mas, após rejeição da proposta, encerrou unilateralmente as conversas, gerando insatisfação entre os grevistas. O reitor, Aluísio Segurado, afirmou que os valores apresentados seriam a última proposta possível pela administração.