Taxas de juros recuam com expectativas de reabertura do Estreito de Ormuz
Otimismo com possível acordo entre EUA e Irã pressiona curva de juros futuros, mas ceticismo persiste diante de incertezas no Oriente Médio.
A curva de juros futuros registrou queda generalizada nesta segunda-feira (27), acompanhando a desvalorização do petróleo, que operou em baixa desde a abertura dos mercados. Os principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) atingiram mínimas intradiárias por volta das 14h, após notícias de que Estados Unidos e Irã discutem um plano para reabrir o Estreito de Ormuz cerca de 30 dias após um possível acordo entre as partes.
O clima de otimismo diante de uma possível solução para o conflito no Oriente Médio levou a taxa do DI para janeiro de 2027 a recuar para abaixo de 14% — patamar não visto desde 20 de abril — enquanto os contratos de prazo mais longo devolveram cerca de 20 pontos-base. No entanto, a ausência de confirmações oficiais fez com que o apetite por risco perdesse força ao final do pregão, refletindo o ceticismo dos investidores.
Com os mercados americanos fechados devido ao Memorial Day e um feriado bancário no Reino Unido, a liquidez global ficou reduzida. A interrupção das negociações dos Treasuries fez com que os DIs fossem guiados principalmente pelos preços do petróleo, que fecharam em queda de quase 7%, próximos a US$ 90 o barril. No Brasil, o volume de negócios também foi menor.
No encerramento, a taxa do DI para janeiro de 2027 caiu de 14,077% para 14,025%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 13,851% para 13,71%. Já o DI para janeiro de 2031 passou de 13,97% para 13,84%.
“O mercado precificou, mais uma vez, o contexto geopolítico”, afirmou Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research. Segundo ele, esta é a terceira ou quarta vez que se espera um anúncio de acordo envolvendo EUA, Israel e Irã, com potencial de reabertura do Estreito de Ormuz e expectativa de menor inflação global.
Almeida ressalta, porém, que o mercado está mais cético diante das idas e vindas nas negociações, o que limitou o bom humor dos agentes. “Acompanhamos esse cenário em outras ocasiões e nada vingou”, pontuou.
Joel Kruger, estrategista de mercados do LMAX Group, em Londres, destacou que o dia começou positivo devido aos desdobramentos do fim de semana e aos relatos de que um acordo entre Washington e Teerã estaria próximo. “Mesmo que a mensagem política siga inconsistente, a ausência de qualquer escalada ao longo do fim de semana foi suficiente para reduzir o prêmio de risco geopolítico entre as classes de ativos”, avaliou.
No Brasil, apesar do alívio momentâneo, agentes continuam revisando expectativas para a política monetária diante do cenário externo e de fatores domésticos. Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Pine, elevou sua projeção para a Selic ao final de 2026 de 13,25% para 14%, citando inflação persistente, deterioração fiscal e aumento dos prêmios de risco.