Caiado eleva o tom em SP, acusa Lula de desinformação e defende acordo com EUA por terras raras
Pré-candidato à Presidência, ex-governador de Goiás rebate críticas de Lula, defende parceria internacional e critica postura do Brasil frente ao mercado de minerais estratégicos.
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), aprovou nesta segunda-feira (25) sua participação em um painel empresarial na capital paulista para rebater o Palácio do Planalto em relação ao cenário político deste ano e ao acordo firmado com os Estados Unidos sobre terras raras no estado goiano.
Diante de uma placa formada por investidores e executivos, Caiado defendeu o memorando de entendimento firmado durante sua gestão com Washington, voltado para a cadeia de minerais críticos.
O ex-governador respondeu diretamente às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia acusado o governo de Goiás de tentar “vender o Brasil” ao negociar recursos do subsolo sem o aval da União.
Caiado ironizou o conhecimento técnico de Lula sobre a tabela periódica e o setor de mineração de alta tecnologia. Para o goiano, a política externa e mineral do governo petista carece de fundamentos técnicos e estratégicos.
"O Lula sabe de terras raras igual eu sei de submarino. Ele não tem noção, ele não sabe do mapeamento mineral do país. O presidente não lê memorando nessa área mineral", afirmou o ex-governador.
O que são terras raras?
A disputa federativa e geopolítica gira em torno das chamadas "terras raras", um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a transição energética e tecnológica global. Esses minerais são matérias-primas fundamentais para a fabricação de chips de última geração, superímãs, motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e armamentos de defesa aeroespacial.
Atualmente, a China detém uma hegemonia global no refino e processamento desses elementos, o que transformou o controle das reservas em uma espécie de "Guerra Fria mineral", na qual o bloco ocidental, liderado pelos EUA, busca romper o monopólio chinês.
Segundo Caiado, o Brasil tem agido de forma passiva no mercado internacional, repetindo erros históricos ao exportar apenas o minério bruto, sem agregar valor localmente. Ele destacou que Goiás abriga, em Minaçu, uma das poucas operações do mundo ocidental dedicadas à extração desses minerais.
"Hoje, o minério de ferro que sai de Carajás é 100% chinês. As terras raras que saem de Goiás hoje vão brutas para a China. Continuamos a vender como na época da colônia", criticou o pré-candidato, enfatizando a necessidade de contribuições de indústrias de refino para o Brasil.
O acordo firmado pelo governo de Goiás prevê intercâmbio de dados geológicos com agências norte-americanas e japonesas, com o objetivo de captar investimentos e transferir tecnologia para processar os materiais dentro do estado. "Se eu, amanhã, tiver uma tonelada de terras pesadas, o valor é mínimo. Se eu puder vender amanhã 20 gramas de térbio, ou de disprósio, ou de neodímio, eu vou enriquecer o meu estado de Goiás, vou trazer tecnologias, vou aumentar a renda e vou ampliar, com isso, o avanço em grandes atrações e baterias."
O Palácio do Planalto e a bancada governamental no Congresso demonstram forte resistência ao modelo adotado por Caiado, apontando riscos potenciais à soberania nacional com o compartilhamento de dados do subsolo e defendendo a criação de diretrizes centralizadas pela União ou até mesmo de um estado para críticos.
Em manifestações públicas, Lula alertou que governadores não possuem prerrogativas constitucionais para realizar esse tipo de concessão a entidades estrangeiras.
Por Sputnik Brasil