ENERGIA NUCLEAR

INB precisa sextuplicar capacidade produtiva para atender demanda nuclear, diz presidente

Tomás Figueiredo Filho afirma que empresas globais, como a Westinghouse, demonstram interesse em investir na expansão da produção de combustível nuclear no Brasil.

Publicado em 25/05/2026 às 15:38
INB

O presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Tomás Figueiredo Filho, afirmou em uma rede social que empresas globais estão interessadas em participar da expansão da produção de combustível nuclear no Brasil, incluindo a Westinghouse, responsável pelo design do primeiro reator nuclear brasileiro, Angra 1.

Segundo Figueiredo Filho, para acompanhar a expansão do parque nuclear nacional — que deve crescer dos atuais 2 gigawatts (GW) para 14 GW até 2055 — a INB precisará sextuplicar sua capacidade produtiva. "Concentrado de urânio, conversão, enriquecimento, fabricação de combustível. Cada etapa precisa escalar" , destacou.

O executivo informou que, há duas semanas, após uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou em Washington o Plano Nacional de Energia 2050 para um grupo de 20 líderes corporativos e investidores internacionais do setor de energia. “A ocorrência foi unânime: 'Como podemos contribuir para esse novo momento?'”, relatou Figueiredo Filho.

Ele ressaltou que, enquanto o mundo investe em energia nuclear como alternativa para a descarbonização, o Brasil possui vantagens estratégicas: urânio abundante, tecnologia consolidada e demanda garantida por combustível nuclear pelos próximos 30 anos .

De acordo com o presidente da INB, a empresa busca parceiros para investir capital na ampliação da produção de concentrado de urânio, nacionalizar etapas do ciclo do combustível nuclear e reduzir a dependência externa. “Isso representa uma oportunidade para o capital privado, que, por meio de parcerias estruturadas, pode ampliar a produção e gerar receitas exponenciais com a venda de combustível para os novos reatores” , explicou.

Figueiredo Filho destacou ainda que o momento é decisivo: "A janela para estruturar essas parcerias é agora. Nos próximos 24 meses, as decisões sobre investimento e modelo de negócio serão tomadas. Quem entrar cedo se posicionará para capturar valor nos próximos 30 anos" .

O interesse de parceiros históricos, como a Westinghouse, evidencia, segundo o executivo, o potencial do mercado brasileiro. "E não é só a Westinghouse. Há outras empresas globais observando" , concluiu.