ECONOMIA

5º leilão Eco Invest pode levantar R$ 50 bilhões em investimentos

Economia, ECO INVEST, Eco Invest Brasil, Desenvolvimento Sustentável

Publicado em 25/05/2026 às 14:56

Os ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima lançaram, nesta segunda-feira (25), o 5º Leilão do Eco Invest Brasil. O programa usa capital público do Fundo Clima para alavancar transportes privados, com foco no fortalecimento da inovação tecnológica e no aumento da competitividade no país.

Foram criados, neste leilão, mecanismos para aproximar empresas, universidades, centros de pesquisa, startups e investidores. O leilão também prevê a criação de seis Fundos de Inovação Eco Invest - linha de crédito corporativo e recursos não reembolsáveis ​​para pesquisa aplicada e empreendedorismo de base tecnológica.

Notícias relacionadas:

Nesta quinta etapa do programa, o governo espera levantar R$ 50 bilhões, o que o tornaria o maior leilão da Eco Invest, estimou Rogério Ceron, secretário Executivo do Ministério da Fazenda.

“Nós temos seis fundos, com R$ 1,5 bilhão de capital catalítico para alavancagem de até duas vezes. Então, cada fundo pode ter R$ 4,5 bilhões, logo teremos até R$ 27 bilhões só com os fundos de inovação. E, junto com cada fundo, a vencedora também vai poder acessar até R$ 1 bilhão de capital catalítico para fazer investimento de crédito corporativo. Em cada uma das seis linhas, prevemos uma alavancagem de, no mínimo, três vezes. Estamos falando de mais R$ 18 Bilhões então, esse leilão vai ser um dos maiores, ele pode sim ser o maior leilão”, estimou Ceron, durante entrevista coletiva concedida no início da tarde de hoje em São Paulo.

Esses seis fundos, diz o governo federal, serão direcionados às cadeias consideradas estratégicas para a nova economia global, tais como fertilizantes verdes, combustíveis verdes avançados, automação e inteligência artificial aplicada à indústria, beneficiamento de minerais críticos, sistemas de baterias e veículos elétricos, química verde, biomateriais e circularidade de resíduos minerais e industriais.

Um dos exemplos de cadeia que pode ser estimulado com este leilão, disse Ceron, é o SAF, o combustível sustentável para a aviação.

Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o quinto leilão da Eco Invest pode ajudar o país a ter mais resiliência, principalmente em um momento em que a Guerra do Irã pressionou o mundo pelos combustíveis. O ministro ressalta que o Brasil é um dos menos afetados pelos conflitos.

“Essa é uma guerra que vai começar a desarranjar cadeias mundo fora. Por exemplo, na Índia, já estão discutindo sobre racionamento. Na Coreia do Sul, eles estão tabelando preços. Existe um impacto no Brasil, mas que comparativamente com o resto do mundo, é muito pequeno”, disse.

O ministro ressaltou que, se o Brasil conseguir manter o investimento das grandes empresas, como é o exemplo da Petrobras, e conseguir novos investimentos para o mercado de SAF, biometano e de fertilizantes, por exemplo, vai “aumentar a resiliência de um país que tem tudo para liderar o mundo nesse novo momento de desafio geopolítico”.

>> Siga o canal da  Agência Brasil  no WhatsApp

Eco Invest

O Eco Invest Brasil foi criado para facilitar a atração de investimentos privados estrangeiros para a transformação ecológica do país e faz parte do Plano de Transformação Ecológica do Brasil, que tem como objetivo promover um novo modelo de desenvolvimento econômico mais inclusivo e sustentável. De acordo com o governo, o programa combina instrumentos financeiros inovadores, redução de riscos e atração de investimentos de longo prazo para transferência para a transição ecológica brasileira.

Com os quatro leilões realizados, o Eco Invest Brasil alcançou mais de R$ 140 bilhões mobilizados e reúne 13 instituições financeiras credenciadas, consolidando-se como uma das principais plataformas de financiamento climático e desenvolvimento sustentável do país.

Com os investimentos previstos com o quinto leilão, a Eco Invest pode estar se aproximando da casa de R$ 200 bilhões. "Estamos falando de um volume de mobilização estratégica, em parceria com o setor privado, com as instituições financeiras e agora com as universidades e com as empresas que estão iniciando. Isso é bem expressivo, próximo de 2% do PIB [Produto Interno Bruto]. Isso é um valor que de fato muda a realidade do país", disse Durigan.

Para o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o Eco Invest é uma “ganha-ganha”, gerando não só benefícios para a economia do país como também para o meio ambiente.

“Ao incorporar áreas [degradadas] e estimular sua recuperação, você recupera a economia e produz alimentos e commodities com recuperação ambiental, em áreas de recuperação ambiental, portanto você está dando uma solução econômica e ambiental”, disse ele.

Além de recuperar áreas degradadas, ressaltou o ministro, outra vantagem do programa é relacionada aos minerais críticos e às terras raras.

"Ele estimula aquilo que é fundamental, que é a agregação de valor. Ou seja, o país não será um exportador de minerais críticos, mas terá a capacidade de processar, industrializar e utilizar esse material crítico e, portanto, vender produtos com maior valor agregado. Isso reduz a pressão sobre o meio ambiente e sobre a produção acrescentada",.

Para o quinto leilão, que é mais voltado para a inovação, o Tesouro Nacional vai aportar até R$ 2,5 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão para cada fundo de inovação - que, a partir de uma alavancagem mínima de 2 vezes, poderá chegar a até R$ 4,5 bilhões - e até R$ 1 bilhão para a linha de crédito corporativo, considerando a exigência de ao menos o dobro de recursos privados em relação ao capital público. Além disso, a Eco Invest Brasil conta com apoio técnico e financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

As linhas de crédito seguirão o modelo utilizado nos leilões anteriores, em que os bancos concedem financiamento direto às empresas prontas para escalar a produção. Como contrapartida, as investidas deverão contratar projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I).

Resultado do 4º Leilão

Os três primeiros leilões, diz o Ministério do Meio Ambiente, ajudaram a financiar projetos voltados para transição energética, recuperação de terras degradadas e bioeconomia.

Já o quarto leilão, voltado para bioeconomia, ao turismo sustentável e à infraestrutura na Amazônia Legal, recebeu propostas de oito instituições financeiras e registradas demanda superior a R$ 7 bilhões em recursos catalíticos - um dinheiro geralmente vindo de investidores que não têm foco em lucro como bancos de fomento, governos ou investidores filantrópicos - com potencial para mobilizar mais de R$ 29 bilhões em investimentos.

Desse total, diz o ministério, foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital catalítico na linha principal, a partir das lanças do ABC Brasil, Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual. Esse montante deverá viabilizar cerca de R$ 13,2 bilhões em investimentos totais, incluindo R$ 7,2 bilhões com captação internacional.

Segundo o Tesouro Nacional, o eixo de infraestrutura concentrou o maior volume de recursos, com mais de R$ 7,8 bilhões destinados à Amazônia Legal. Já a bioeconomia mobilizou R$ 4,4 bilhões em investimentos ligados à bioindustrialização, sociobioeconomia e restauração produtiva. O turismo sustentável, por sua vez, deverá receber cerca de R$ 900 milhões para iniciativas ligadas ao turismo ecológico, unidades de conservação e turismo de base comunitária.

Banco do Brasil

O Banco do Brasil informou ter liderado os recursos oferecidos no quarto leilão, totalizando R$ 1,5 bilhão. Nesta quarta etapa, o banco diz ter estruturado a captação com alavancagem de mais de quatro vezes, viabilizando R$ 6,4 bilhões em investimentos. “O resultado obtido pelo Banco do Brasil no quarto leilão do Eco Invest reafirma nossa capacidade de estruturar soluções financeiras robustas para apoiar uma transição sustentável do país”, disse José Ricardo Sasseron, vice-presidente de governo e sustentabilidade do Banco do Brasil.