ECONOMIA

Produção da indústria química cresce 22,8% no 1º trimestre, aponta Abiquim

Setor registra recuperação após retração em 2025, impulsionado por medidas de defesa comercial e queda nas importações.

Publicado em 25/05/2026 às 13:44
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A produção da indústria química brasileira cresceu 22,8% no acumulado dos três primeiros meses de 2026 , em comparação com o final de 2025. As vendas no mercado interno acompanharam o desempenho, com alta de 22,7% no mesmo período. Os dados são do Relatório de Acompanhamento Conjuntural (RAC) da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Para André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, o resultado do trimestre representa uma recomendação relevante após a forte exclusiva registrada no segundo semestre de 2025. "O primeiro trimestre de 2026 trouxe um vôo importante para a indústria química brasileira, mas ainda estamos longe de um cenário estruturalmente equilibrado e competitivo", avalia.

Segundo a Abiquim, a recuperação está relacionada à redução das emissões de produtos químicos, que caiu 19,1% no trimestre. Com isso, a participação da produção nacional no abastecimento interno saltou de 42% em dezembro de 2025 para 56% em março de 2026.

Todos os segmentos monitorados pela RAC avançaram na produção nos primeiros meses de 2026. Destacaram-se os intermediários para plásticos, com alta de 26% em março ante fevereiro, e os intermediários para fertilizantes, que cresceram 10,6% no mesmo período. As resinas termoplásticas, utilizadas em embalagens, construção e automóveis, avançaram 4%, atingindo 70% de utilização da capacidade instalada.

Outro dado relevante é que, em dezembro de 2025, apenas 49% da capacidade do setor estava sendo utilizada. Em março de 2026, esse índice subiu para 63%, um avanço de 14 pontos percentuais em apenas três meses.

De acordo com a Abiquim, as medidas de defesa comercial obrigações pelo governo brasileiro — como a Lista de Desequilíbrios Comerciais Conjunturais (DCC) e instrumentos antidumping — funcionaram como escudo contra a entrada de produtos com consumidores considerados "artificialmente baixos" pelo setor.

“O desempenho do setor químico é fruto das medidas acertadas do governo federal desde 2025, sem gerar impacto inflacionário. Não podemos reduzir os instrumentos de defesa comercial com justiça no momento em que eles iniciam a produção de resultados concretos para a indústria nacional”, destaca Cordeiro.

No entanto, ao comparar o primeiro trimestre de 2026 com o mesmo período de 2025, tanto a produção quanto as vendas ainda recuaram 4,1%. Nos últimos doze meses até março de 2026, a produção caiu 7% e as vendas internacionais diminuíram 8,2%. Para a associação, a recuperação trimestral é real, mas ainda insuficiente para reverter a tendência de médio prazo.

O relatório também aponta que, para o setor crescer de forma sustentável, é fundamental garantir energia elétrica e gás natural a preços competitivos. “Sem resolver o custo das matérias-primas e da energia, será muito difícil transformar essa ocorrência conjuntural em um ciclo sustentável de crescimento e investimento industrial”, reforça o presidente-executivo da Abiquim.