ASTRONOMIA E EXOPLANETAS

Planetas sem núcleo definido desafiam modelo clássico e sugerem que a Terra é a exceção galáctica

Novo estudo indica que mundos maiores que a Terra podem não possuir camadas internas distintas, tornando nosso planeta uma raridade cósmica.

Por Sputinik Brasil Publicado em 25/05/2026 às 13:14
Ilustração mostra exoplaneta sub-Netuno, sugerindo estrutura interna sem núcleo definido. © Shutterstock/FOTODOM / Rost9

Planetas maiores que a Terra, mas menores que Netuno podem não possuir um núcleo metálico como o nosso. Um novo estudo aponta que, sob temperaturas extremas, os materiais internos desses mundos se misturam completamente, criando planetas sem camadas definidas internamente - o que sugere que a Terra pode ser uma exceção no Universo.

A pesquisa indica que a estrutura interna dos planetas rochosos pode ser muito diferente do modelo clássico baseado na Terra. Em vez de um núcleo metálico denso, um manto de silicato e uma atmosfera fina, muitos desses planetas, especialmente os chamados sub-Netunos — o tipo mais comum na galáxia —, podem não apresentar divisões internas claras.

Esses mundos, maiores que a Terra e menores que Netuno, eram tradicionalmente vistos como versões ampliadas do nosso planeta. No entanto, o estudo revela que sob pressões e temperaturas extremas, hidrogênio, silicato e ferro tornam-se miscíveis, formando um único fluido turbulento e homogêneo.

Representação artística de um exoplaneta sub-Netuno
Representação artística de um exoplaneta sub-Netuno

Segundo os autores, se um planeta acumula mais de 1% de sua massa em hidrogênio, perde-se a separação entre núcleo, manto e atmosfera. O interior se transforma em uma mistura homogênea, sem fronteiras internas, alterando profundamente a evolução e a dissipação de calor desses mundos.

Esse novo modelo ajuda a explicar características já observadas na população de exoplanetas, como a lacuna de raio — a ausência de mundos intermediários entre super-Terras e sub-Netunos — e a relação entre tamanho planetário e período orbital. A miscibilidade interna oferece respostas que os modelos estratificados não conseguem fornecer.

O estudo também sugere que os jovens sub-Netunos deveriam liberar o hidrogênio gradualmente do interior para a atmosfera à medida que esfriam, o que os fariam parecer mais inchados do que o previsto. Essa característica pode ser bloqueada em planetas recém-formados, observados pelo telescópio espacial James Webb (JWST) e por futuros levantamentos de trânsito.

Os autores registram limitações: parte das conclusões depende de extrapolações teóricas sobre o comportamento de materiais em condições ainda não totalmente reproduzidas em laboratório. Além disso, o método estatístico utilizado para reconstruir a física interna a partir da população observada envolve incertezas sérias.

Ainda assim, a principal implicação é clara: o modelo terrestre pode ser uma exceção, não a regra. O planeta típico da galáxia talvez não tenha um núcleo metálico definido — e a própria Terra pode ser um caso raro entre os mundos rochosos.