TENSÃO INTERNACIONAL

Impasse nuclear trava acordo entre EUA e Irã e aumenta pressão no Oriente Médio

Negociações esbarram em exigências sobre programa nuclear e alívio financeiro, sob pressão de países do golfo e Israel.

Publicado em 25/05/2026 às 11:54
Impasse nuclear entre EUA e Irã trava negociações e eleva tensão no Oriente Médio. © AP Photo / Vahid Salemi

As negociações para um acordo que encerre o conflito entre Estados Unidos e Irã perderam ritmo devido a impasses envolvendo o programa nuclear iraniano e as condições para alívio financeiro a Teerã.

Segundo mediadores, o avanço das tratativas foi freado após divergências sobre referências ao programa nuclear e sobre a liberação de recursos para o Irã. O presidente dos EUA, Donald Trump, alternou declarações de otimismo e cautela, ressaltando que não aceitará um acordo "inadequado".

A notícia inicial de que um entendimento estaria próximo provocou críticas de republicanos mais conservadores, que temem que a reabertura do Estreito de Ormuz reduza a pressão econômica sobre o Irã sem impor limites suficientes ao seu programa nuclear. Trump respondeu afirmando que o pacto será "ótimo e significativo, ou não haverá acordo".

Negociações e pressões regionais

As discussões buscam um memorando de entendimento para encerrar os combates e suspender restrições ao tráfego marítimo em até 30 dias, abrindo espaço para uma segunda fase centrada no tema nuclear. O alívio das sanções dependeria do progresso do Irã, segundo autoridades americanas.

De acordo com a mídia dos EUA, Washington exige compromissos mais claros sobre o programa nuclear desde o início, enquanto Teerã pede definições sobre o descongelamento de ativos e o ritmo do alívio econômico. Mediadores relatam que os EUA temem que o Irã adie o debate nuclear após receber benefícios iniciais.

Interesses cruzados

Apesar das tensões, ambos os lados sofrem pressão para chegar a um acordo: Trump busca encerrar uma guerra impopular, que elevou o preço dos combustíveis, enquanto o Irã tenta aliviar a crise econômica agravada pelo conflito e pelo bloqueio americano. Países do golfo apoiam as negociações, mas exigem garantias de segurança e liberdade de navegação.

Segundo a imprensa norte-americana, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos pressionam por cláusulas explícitas sobre o tráfego no estreito. O Irã aceitou isentar navios de taxas durante as negociações, mas pretende manter papel na gestão da via e discute a cobrança por serviços de trânsito e proteção. Israel, por sua vez, teme um acordo brando que reduza a pressão sobre Teerã e fortaleça o Hezbollah no Líbano.

Incertezas internas e cenário delicado

Mediadores destacam ainda incertezas internas: o paradeiro e a atuação do líder supremo Mujahidin Khamenei seguem nebulosos, enquanto Teerã acusa os EUA de instabilidade institucional e mudanças frequentes de posição, o que adiciona complexidade a um processo já frágil e sensível.

Por Sputinik Brasil