ECONOMIA

Rentabilidade do SFN permaneceu praticamente estável no 2º semestre de 2025, diz BC

Publicado em 25/05/2026 às 10:30
Banco Central do Brasil Reprodução

O Banco Central avalia que a rentabilidade do Sistema Nacional Financeiro ficou praticamente estável no segundo semestre de 2025, demonstrando resiliência e capacidade de gerar lucros para aumentar o capital. A avaliação consta no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao período, divulgado nesta segunda-feira, 25.

"O crescimento dos resultados operacionais, ainda que em ritmo menor, compensou o aumento do custo com provisões. A margem de crédito pressionada pela elevação do custo de captação. A rentabilidade continua sem perspectiva de aumento em razão das condições financeiras restritivas e da moderação da atividade econômica, que podem reduzir o crescimento do crédito e das receitas de serviços e aumentar a inadimplência", diz.

No texto do BC também afirma que as provisões mantiveram-se compatíveis com as estimativas de perdas esperadas no período.

Considere que o aumento do risco da carteira de crédito levou ao crescimento das perdas esperadas, e que as instituições financeiras consequentemente aumentaram as provisões constituídas para suportar esse maior volume de perdas, mantendo o nível de cobertura estável no SFN.

"Individualmente, há IFs com provisão inferior aos intervalos de perdas estimadas pelo BC. No entanto, o nível de capitalização é suficiente para absorver eventuais ajustes na grande maioria dos casos", detalhando a autoridade monetária.

Nova metodologia

No mesmo REF, o Banco Central afirma que a nova metodologia para apurar capital aumentará pelo menos a resiliência do Sistema Financeiro Nacional e aproximará o Brasil das melhores práticas internacionais de supervisão prudencial. “Os limites mínimos serão complementares aos demais requisitos regulatórios. O capital mínimo consiste em um piso absoluto, independentemente do perfil de risco ou do volume de operações”, diz.

A REF emenda que essa exigência atua como mitigadora do risco moral e visa garantir que uma instituição seja capaz de assumir seus custos operacionais desde o início de suas atividades, reforçando a estabilidade do SFN.

Observe que, em conformidade com a regra de transição gradual, as instituições financeiras deverão se adaptar até janeiro de 2028. Diz que esse ajuste exigirá esforço de um grande número de IFs cuja deficiência projetada de capital corresponde a apenas 0,5% do patrimônio de referência (PR) do sistema.

O BC traz um boxe sobre o tema nessa edição do REF. Nele, conclui que as estratégias de assunção de obrigações pelas entidades para enquadramento às novas exigências tendem a resultar em um sistema financeiro mais sólido e competitivo.

Segundo a autoridade monetária, uma pesquisa realizada junto ao universo das instituições autorizadas indica que, do grupo com expectativa de desenquadramento, a grande maioria informa a intenção de permanência no mercado.

“Nesse sentido, os novos limites de capital integralizado e de patrimônio líquido devem ser considerados uma oportunidade para que as instituições de menor porte, com importante papel nos níveis de concorrência, acesso e diversificação de produtos e serviços, avancem no processo de fortalecimento da base de capital, de racionalização de estruturas e de consolidação dos segmentos, por meio de fusões e incorporações, contribuindo para um SFN mais sólido e competitivo ao final da transição”, conclui o BC.

Confiança do mercado financeiro

No REF, a maioria das instituições (78%) do mercado financeiro manifestaram muita ou total confiança na resiliência do Sistema Financeiro Nacional em pesquisa feita pelo Banco Central. A informação consta no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao segundo semestre do ano passado, divulgado nesta segunda-feira.

“A confiança do mercado financeiro na estabilidade do SFN permanece elevada”, diz o BC.

Segundo a autoridade monetária, nas menções sobre riscos, continuamos destacando riscos fiscais, preocupações com individualização de famílias e empresas, e riscos do cenário internacional.

Pela primeira vez, porém, o texto ressalta que as instituições manifestaram-se preocupadas com questionamentos e judicialização sobre a competência dos reguladores do SFN.

Riscos de instituições financeiras

O Banco Central pondera, no REF, que ainda há sinais de propensão ao risco, mas diz que as instituições financeiras reforçaram o apetite no segundo semestre de 2025.

“A desaceleração do crescimento do crédito foi acompanhada por leve melhoria na qualidade das novas contratações com PJs, revelando maior cautela na originação. Ainda assim, sinais de operações de maior propensão ao risco persistem em modalidades específicas, notadamente no crédito pessoal não consignado, que continua crescendo a taxas elevadas e com aumento da participação de sem garantia”, diz o BC.

À frente, afirma, a Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC) indica que as condições devem tornar-se ainda mais restritivas para o crédito às famílias, devido à piora dos fatores relacionados ao comprometimento de renda e ao nível de inadimplência, e para o crédito às PJs, especialmente às grandes empresas.

Assim como no REF do primeiro semestre de 2025, diz, a cautela indicada na PTC permanece consistentemente com a persistência de uma solicitação de capacidade de pagamento de empresas e famílias.

"De fato, o ambiente de taxa básica de juros contracionista, aliado ao elevado endividamento de famílias e empresas, exige cautela e diligência nas concessões de crédito Mesmo com o dinamismo do mercado de trabalho, com ganhos consistentes de renda e redução expressiva do desemprego, o comprometimento de renda das famílias elevou-se ainda mais. O maior impacto ocorreu entre os tomadores de menor renda, com forte contribuição de modalidades de crédito mais caras", avalia.

Apesar da situação exigira, pondera, o aperto das condições financeiras não influenciou de forma significativa a capacidade das empresas gerarem caixa operacional para pagar dívidas, especialmente as de maior porte.

Eventos climáticos

O Banco Central afirma que, em 2025, o percentual de instituições afetadas por eventos climáticos impactantes-seá à metade de 2024.

Além disso, segundo o BC, a Pesquisa de Estabilidade Financeira (PEF) revelou avanços na governança e atualização na gestão do risco climático nesse período.

“Algumas instituições relatam o uso da experiência com os eventos climáticos severos em 2024 para aprimorar o gerenciamento de riscos climáticos”, diz. Os avanços incluem maior utilização do horizonte de longo prazo no gerenciamento de risco e o uso da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), detalhes.

De acordo com o relatório, as instituições ponderam que, no longo prazo, o impacto médio esperado dos riscos climáticos físicos agudos é baixo. O BC detalhou ainda que o risco de crédito permanece como o risco financeiro mais relevante para a transmissão de riscos climáticos financeiros e de transição para o SFN.

“Apesar da percepção das instituições de baixo risco no longo prazo, o BC tem envidado esforços para evoluir na coleta e na análise dos dados do Documento de Risco Social, Ambiental e Climático (DRSAC)”, diz o Banco Central.