ARQUEOLOGIA

Joias de ouro revelam riqueza e rotas culturais do período abássida na Arábia Saudita

Conjunto de 100 joias de ouro com mais de 1.100 anos revela sofisticação artística e conexões comerciais na Península Arábica durante o califado abássida.

Publicado em 25/05/2026 às 10:30
Conjunto de 100 joias de ouro do período abássida revela riqueza e conexões culturais na Arábia Saudita. © Foto / Comissão do Patrimônio Saudita

Descobertas arqueológicas em Dariyah, na região de Al-Qassim, Arábia Saudita, trazem à luz um tesouro de 100 joias de ouro com mais de 1.100 anos, evidenciando a riqueza, o dinamismo cultural e a sofisticação artística do período abássida.

As peças, provavelmente pertencentes a um conjunto cerimonial, foram identificadas após a quarta temporada de escavações conduzidas pela Comissão do Patrimônio Saudita. O estado de conservação impressiona: pingentes, discos decorados, espaçadores e contas multicoloridas preservam detalhes que permitem reconstruir práticas de ourivesaria e padrões específicos da época.

Uma coleção organizada completa de 100 peças de joias de ouro do período abássida, incluindo pingentes florais, ornamentos em forma de disco, contas e espaçadores de ouro
Uma coleção organizada completa de 100 peças de joias de ouro do período abássida, incluindo pingentes florais, ornamentos em forma de disco, contas e espaçadores de ouro

Datadas de uma era em que o califado conectava vastas regiões por meio do comércio, peregrinação e produção artística, as joias como um retrato material desse mundo interligado. Em Dariyah, nosso ouro evidencia a circulação de ideias, técnicas e materiais que marcaram o florescimento cultural abássida.

Os ornamentos apresentam motivos florais encaixados em geometrias, pedras coloridas dispostas simetricamente e elementos que compunham colares modificados. O proprietário permanece desconhecido — poderia ser um residente abastado, um viajante ou alguém vinculado ao fluxo de peregrinos —, o que acrescenta mistério ao achado.

Segundo a Comissão, as peças foram produzidas com técnicas avançadas: lâminas de ouro marteladas, moldadas e decoradas, além de pedras engastadas com precisão. Esse domínio técnico indica acesso a materiais nobres e a tradições consolidadas de ourivesaria, promovendo status e mobilidade social.

As pedras coloridas reforçam as hipóteses de redes comerciais amplas, apontando para conexões que atravessavam a Península Arábica, especialmente em um assentamento situado próximo à rota de peregrinação de Basran, que ligava o Iraque à Meca e movimentava mercadores, notícias e estilos artísticos.

O contexto destruído de Dariyah — com estruturas de pedra, paredes de barro, cerâmicas, vidro e ferramentas — confirma uma ocupação estável no final do século IX. Assim, as joias deixam de ser apenas um tesouro isolado e passam a integrar a história de um assentamento ativo, ligada ao comércio e à peregrinação, enriquecendo a arqueologia da Arábia islâmica primitiva.

Por Sputnik Brasil