Construção brasileira ainda perde eficiência onde os EUA ganharam produtividade
Industrialização, padronização e maior controle operacional avançam em mercados mais estruturados, enquanto parte da construção brasileira ainda depende de improviso operacional
A construção civil global vem acelerando mudanças operacionais impulsionadas por industrialização, digitalização e maior padronização da execução. Nos Estados Unidos, métodos como construção modular, pré-fabricação e off-site construction ganharam espaço como resposta à pressão por produtividade, previsibilidade e escassez de mão de obra. No Brasil, embora o setor avance em tecnologia e profissionalização, parte das empresas ainda perde eficiência pela baixa padronização dos processos e pela dependência de decisões improvisadas dentro da obra.
Estudos da McKinsey apontam que a produtividade da construção civil cresce em ritmo historicamente inferior ao de outros setores. Em mercados mais estruturados, esse cenário acelerou a adoção de modelos construtivos com maior controle operacional e mais previsibilidade sobre prazo, custo e execução.
Para Magnus Bruno Oyama Machado, engenheiro civil, empresário e cofundador da Mafrei Construtora e Incorporadora, a diferença entre os mercados não está apenas na tecnologia disponível, mas no nível de maturidade operacional aplicado à execução.
“Mercados mais maduros entenderam que produtividade não depende apenas de executar mais rápido, mas de reduzir a variabilidade operacional. Quanto menor a dependência de improviso, maior a capacidade de manter prazo, custo e qualidade de forma consistente”, afirma.
Segundo ele, parte do avanço operacional observado em mercados mais estruturados está na capacidade de transformar execução em processo replicável, e não em resultado dependente de adaptações constantes ao longo da operação.
“Quando cada obra depende excessivamente da experiência individual, da comunicação informal e de ajustes feitos no improviso, a empresa perde capacidade de repetir bons resultados. O ganho de produtividade começa quando processos deixam de depender de decisões isoladas e passam a operar de forma mais padronizada”, explica.
Nos Estados Unidos, esse movimento ganhou força com modelos mais industrializados, como off-site construction e modular building, que transferem parte da produção para ambientes mais controlados. Mais do que tecnologia construtiva, essas práticas buscam ampliar controle sobre etapas críticas da execução.
No Brasil, embora essas soluções avancem em nichos específicos, parte do setor ainda opera com forte dependência de decisões reativas, comunicação informal e baixa padronização de processos. Isso reduz a previsibilidade e dificulta a repetição consistente de resultados.
“Não se trata de comparar realidades econômicas distintas, mas de observar a maturidade operacional. A industrialização ensina uma lição importante: previsibilidade não nasce apenas da tecnologia. Nasce da capacidade de transformar execução em processo controlável”, afirma Magnus.
Segundo Magnus, parte do avanço operacional observado em mercados mais estruturados acontece porque a padronização e o controle da execução vêm antes da tecnologia.
Na avaliação do executivo, muitas empresas ainda buscam produtividade sem antes estruturar padrões consistentes de execução.
“Industrialização não significa apenas adotar novos métodos construtivos. Significa aumentar repetibilidade e criar operações capazes de manter desempenho com mais consistência”, diz.
Essa pressão tende a crescer à medida que o setor busca maior produtividade em um ambiente de custos pressionados, crédito mais caro e maior exigência por previsibilidade operacional.
Para Magnus, empresas capazes de padronizar execução, ampliar controle operacional e reduzir variabilidade devem ganhar vantagem competitiva nos próximos anos.
“A construção está deixando de competir apenas pela capacidade de executar obra. Cada vez mais, vai competir pela capacidade de transformar execução em processo previsível, repetível e controlado”, conclui.