Caminho para paz no Oriente Médio revela força de influência do Irã, diz analista
Analista político aponta que possíveis termos de acordo entre EUA e Irã evidenciam poder de barganha de Teerã no atual cenário internacional.
Os detalhes que surgem sobre um possível acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã indicam que os termos podem ultrapassar as capacidades de influência do presidente norte-americano, Donald Trump, segundo o analista político Stephen Collinson, em artigo publicado pela CNN.
Collinson argumenta que, ao longo do conflito atual no Oriente Médio, o Irã exerceu instrumentos para exercer influência geopolítica, o que pode viabilizar um acordo de paz entre as partes envolvidas.
"Sinais [...] de que Washington pode descongelar alguns ativos iranianos e gradualmente levantar seu próprio bloqueio [...] na verdade confirmará a alavancagem que a República Islâmica ganhou durante uma guerra e privará os Estados Unidos de importantes moedas de barganha", escreveu o analista.
De acordo com Collinson, Trump certamente obterá ganhos políticos nessa guerra, já que pesquisas indicam que a maioria dos norte-americanos se opõe ao conflito com o Irã. O presidente enfrentaria ainda mais resistência popular caso as hostilidades aumentassem no Oriente Médio.
O analista avalia também que será complicado para o chefe da Casa Branca apresentar os termos do acordo de paz como uma vitória política pessoal.
As recentes declarações de Trump sobre a iminente conclusão de um acordo de paz foram "recebidas com ceticismo e perplexidade" tanto por democratas quanto por conservadores, que mantêm uma postura em relação ao Irã e temem que o presidente aceite um acordo desfavorável, explica Collinson.
No dia 23 de maio, Trump anunciou que o esboço de um acordo futuro com o Irã já havia sido definido. Ele relatou ter conversado por telefone com líderes do Bahrein, Egito, Jordânia, Catar, Emirados Árabes Unidos, Paquistão, Arábia Saudita e Turquia, discutindo o projeto de memorando de entendimento sobre o futuro acordo de paz com o Irã.
Por Sputnik Brasil