EMPREENDEDORISMO

Em menos de um ano, jovens transformam móveis escolares usados em negócio milionário

A Reescola, criada por uma biotecnologista e uma especialista em operações, cresce ao apostar na reindustrialização e já atende centenas de escolas no Brasil

Por Iago Almeida Publicado em 25/05/2026 às 09:24
Laura Reescola Divulgação

São Paulo, abril de 2026 - Um espaço de apenas 20 m², uma parafusadeira antiga e a identificação de um gargalo no setor de móveis escolares foram o ponto de partida para um negócio que faturou R$ 1,7 milhão em 2025. Criada por duas jovens de 26 anos, a Reescola surgiu com o objetivo de oferecer uma alternativa mais acessível e eficiente frente aos altos custos e à baixa inovação dos processos tradicionais do setor. A partir da compra e reindustrialização de móveis usados, o modelo ganhou escala, viralizou nas redes sociais e já atendeu mais de 250 escolas, com uma equipe de 12 pessoas e operação atual em um espaço de 2.500 m².

Fundada pela biotecnologista Laura CamargosCEO e cofundadora da Reescola, ao lado de Izabela BazoCOO e cofundadora, a empresa nasceu da combinação entre conhecimento técnico e execução prática. Enquanto Laura desenvolveu um método padronizado de recuperação com base em princípios de controle de qualidade, Izabela liderou a operação de reforma dos móveis, inicialmente realizada fora do pequeno espaço disponível. “Eu sabia que existia um problema real no mercado e que a solução precisava de método, padronização e controle de qualidade. Mesmo com críticas, segui com a convicção de que estávamos criando algo necessário”, afirma Laura.

O crescimento da empresa acontece em um contexto de forte demanda por soluções mais acessáveis e sustentáveis no setor educacional. De acordo com o Censo Escolar mais recente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Brasil possui mais de 180 mil escolas, o que evidencia a dimensão desse mercado e a demanda contínua por soluções mais acessíveis para a infraestrutura educacional. Ao mesmo tempo, práticas de economia circular ganham relevância: segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), iniciativas voltadas à reutilização e reaproveitamento de materiais têm crescido no país como alternativa para redução de custos e impacto ambiental, especialmente em setores com alta demanda por mobiliário.

Sem investimento externo ou aporte de terceiros, o negócio cresceu de forma orgânica, impulsionado pela validação rápida do mercado e pela capacidade de escala do modelo. Em 2025, a empresa passou por quatro expansões físicas, saindo de 20 m², para  100 m², para 300 m², para depois 2500 m², a estrutura atual. A operação acompanha o aumento da demanda e reforça a proposta de tornar a reindustrialização uma alternativa viável frente à produção tradicional.

Diante desse cenário, a empresa projeta ampliar sua atuação para atender uma parcela ainda maior do setor educacional. “O desafio é grande, porque estamos falando de um universo enorme de escolas, mas também de uma oportunidade proporcional. Nosso método nasceu para escalar e pode ser aplicado em outros setores além do escolar”, afirma Laura.

Com um modelo baseado em eficiência operacional, controle de qualidade e reaproveitamento, a Reescola se posiciona em um nicho ainda pouco explorado no Brasil, especialmente considerando que poucos negócios de móveis usados ultrapassam a marca de R$ 1 milhão em faturamento anual. Liderado por duas jovens empreendedoras, o projeto reforça uma tendência de novos modelos industriais mais enxutos e alinhados às demandas contemporâneas do mercado.

Sobre a Reescola

A Reescola é uma startup mineira fundada em 2024 por Laura Camargos e Izabela Bazo, especializada na reindustrialização de móveis escolares. Com um método único e padronizado, a empresa oferece soluções sustentáveis e acessíveis para escolas de todo o Brasil. Em 2025, a Reescola faturou R$ 1,7 milhão e atendeu mais de 250 escolas, consolidando-se como referência no setor.