Focus: mediana do IPCA para 2026 sobe para 5,04% e ultrapassa teto da meta de inflação
Previsão do mercado para a inflação de 2026 segue acima do limite estabelecido pelo Banco Central, refletindo incertezas globais e pressão dos preços do petróleo.
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu pela décima primeira semana consecutiva, passando de 4,92% para 5,04% . O índice se distancia ainda mais do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, fixada em 4,50%. O movimento reflete o aumento das incertezas no cenário internacional, devido especialmente à guerra no Oriente Médio, que impulsionou os preços do petróleo.
Considerando apenas as 115 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis — mais sensíveis às novidades —, a mediana passou de 5,04% para 5,07%.
Para o IPCA de 2027, uma estimativa do mercado subiu de 4,00% para 4,01%, após três semanas de estabilidade. Um mês antes, era de 4,00%. Entre as 112 projeções mais recentes, o número passou de 4,00% para 4,04%.
Já a mediana do Focus para a inflação de 2028 ficou estável em 3,65%, após alta na divulgação anterior. Na reunião da última reunião, em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou a preocupação com o desancoramento das expectativas para esse horizonte, que pode refletir efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo.
"A duração do conflito até este momento pode ter sido suficiente para materializar alguns riscos, sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028. Nesse contexto, o comitê reafirma seu compromisso no combate dos efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo e seus derivados, e serenidade para reunir mais informações ao longo do tempo, em cenário de incerteza elevada", afirmou o Copom.
A estimativa é que a inflação de 2029 chegue a 3,50% pela 38ª semana consecutiva.
A trajetória prevista pelo mercado segue acima das expectativas do Banco Central, mesmo após a revisão das estimativas do Copom na reunião de abril.
Na ocasião, o colegiado elevou uma projeção para o IPCA de 2026 de 3,9% para 4,6%, e para o IPCA de 2027 — atual horizonte relevante da política monetária — de 3,3% para 3,5%.
Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, baseada no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considere que o BC perdeu o alvo.