CRIME INTERNACIONAL

Ex-marido é condenado nos EUA por mandar matar galerista no Rio

Daniel Sikkema foi considerado culpado por planejar o assassinato de Brent Sikkema, morto a facadas em janeiro no Jardim Botânico. Pena será definida nos próximos dias.

Publicado em 23/05/2026 às 14:19
Brent Sikkema Reprodução

O ex-marido do galerista Brent Sikkema, assassinado a facadas em janeiro de 2024 no Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro, foi condenado nos Estados Unidos como mandante do crime. A pena de Daniel Sikkema ainda será definida. A informação, inicialmente divulgada pelo Wall Street Journal, foi confirmada ao Estadão por advogados envolvidos no caso.

A defesa de Daniel, que nega participação, aguarda a definição da sentença para decidir se recorrerá. A promotoria pede prisão perpétua, devido à gravidade do crime.

Brent Sikkema, proprietário de uma fortuna composta por imóveis nos Estados Unidos, Cuba e Brasil, foi morto aos 75 anos pelo cubano Alejandro Triana Prevez, atualmente preso. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Alejandro apontou Daniel Carrera Sikkema, cubano e americano naturalizado, como cúmplice e mandante.

Brent era um renomado galerista de Nova York e fundador da Sikkema Jenkins, galeria conhecida por representar artistas como Vik Muniz e Kara Walker.

O júri federal, que proferiu a sentença na sexta-feira (22), considerou Daniel culpado por conspirar, planejar e contratar um assassino para matar Brent, que estava de férias na segunda residência do casal, no Rio. Daniel construiu um álibi, permanecendo com o filho em Nova York.

O crime teria sido motivado pela exclusão de Daniel do testamento de Brent, em maio de 2022. Na época, Daniel entrou com pedido de divórcio na Corte Suprema do Condado de Nova York. O envio do testamento ao processo foi registrado em 2 de maio daquele ano. O casal estava junto desde dezembro de 1993, mas separado de fato desde janeiro de 2022.

De acordo com o Wall Street Journal, Daniel não demonstrou emoção ao ouvir o veredicto, nem ao ser conduzido para fora do tribunal federal de Manhattan. O filho, atualmente com 15 anos, não esteve presente na leitura do veredicto.

Alejandro permanece preso no Brasil, aguardando julgamento.

Segundo denúncia do Ministério Público do Rio, Alejandro trabalhou para Brent e Daniel em Cuba. Ao emigrar para o Brasil, em 2022, ficou desempregado e foi contratado por Daniel para matar o ex-patrão.

O cubano passou a receber auxílio financeiro, que chegou a US$ 1,8 mil, com a promessa de receber US$ 200 mil após o crime.

Entenda o caso

Na noite do crime, Alejandro foi até a casa de Brent, certificou-se de que ele estava sozinho e, usando chaves fornecidas por Daniel, invadiu o imóvel. Utilizou uma faca da cozinha para matar o galerista em sua cama, com múltiplas facadas. Depois, lavou a arma e a recolocou no faqueiro. Antes de sair, furtou US$ 40 mil e R$ 30 mil que estavam sobre uma cômoda.

O caso teve grande repercussão no Brasil. A Justiça do Rio chegou a solicitar a deportação de Daniel para responder ao crime no país. Posteriormente, o caso passou a ser investigado pela polícia americana e pelo FBI. O advogado Gregório Andrade, que defendeu Alejandro até 2024 e ainda recebe notificações do processo, considerou a condenação justa: "É um caso complexo, transnacional, grave como todo crime desse tipo."