'Maior ladrão de obras do Brasil' é apontado como mandante do roubo à Mário de Andrade
Laéssio Rodrigues, conhecido por crimes contra o patrimônio cultural, teria planejado o roubo de 13 obras de arte da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Polícia segue em busca das peças.
A Polícia Civil de São Paulo avançou nas investigações sobre o roubo de obras da Biblioteca Mário de Andrade, ocorrido no centro da capital em dezembro de 2025. Na última sexta-feira, 22, agentes cumpriram três mandados de prisão e 11 de busca e apreensão durante a Operação Marchand. Conforme apurado, o mandante do crime é Laéssio Rodrigues , apontado como o maior ladrão de obras do Brasil, atualmente já detido.
Laéssio foi preso preventivamente em abril deste ano após tentar corromper um agente de segurança de um instituto federal no Rio de Janeiro, com o objetivo de subtrair obras de arte. O valor oferecido no suborno teria sido de R$ 500 mil. A ordem de prisão foi expedida pela 15ª Vara Federal do Rio e cumprida em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
"Ele mesmo se intitula assim ('o maior ladrão de obras do Brasil'). Tem uma ficha extensa, com histórico de ocorrências em diversos Estados", afirmou ao Estadão o delegado Ronald Quene, titular da 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), que conduz uma investigação.
Outros dois alvos dos mandados de prisão foram Carlos Leandro Ferreira , considerado comparsa e “companheiro afetivo” de Laéssio, e Regiane Rodrigues da Silva , estudante de Direito apontada como envolvida entre o mandante e o executor do crime.
Carlos também está preso pelo mesmo episódio que levou à detenção de Laéssio e, assim como ele, passa a responder por mais uma ordem de prisão. Já Regiane foi detida nesta sexta-feira, na Vila Maria, zona norte de São Paulo. A defesa dos três não foi localizada pela reportagem.
Os policiais da 1ª Cerco cumpriram ordens judiciais em São Paulo, São Bernardo do Campo, Diadema e Rio de Janeiro, incluindo imóveis e estabelecimentos vinculados ao mercado de leilões e à comercialização de obras de arte.
Obras ainda não foram localizadas
O roubo à Biblioteca Mário de Andrade ocorreu em 7 de dezembro do ano passado. Dois homens armados, Felipe dos Santos Fernandes Quadra e Gabriel Pereira Rodrigues de Mello, invadiram o local, tornaram-se um vigilante e visitantes e dirigiram executar o crime.
Foram levadas 13 obras de arte — cinco assinadas por Candido Portinari e oito de Henri Matisse — além de documentos históricos. As investigações indicam que o objetivo era vender-las a Laéssio pelo valor de R$ 110 mil, sendo que Gabriel já teria recebido parte do pagamento. O prejuízo financeiro foi estimado entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,3 milhão.
Até o momento, as gravuras roubadas não foram localizadas, mas, segundo o delegado Ronald Quene, há promessas de que possam ter sido levadas a leilões no Rio de Janeiro. “Os celulares apreendidos devem a ajudar a esclarecer a dinâmica do grupo”, afirmou.
Felipe dos Santos Fernandes Quadra foi preso após o roubo. Gabriel Pereira, que já tem mandado de prisão expedido, segue foragido.
Outros dois suspeitos, Luis Carlos do Nascimento , conhecido como Magrão e apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), e Cícera de Oliveira Santos , esposa de Gabriel, também participaram da ação, conforme as investigações.
Ambos foram presos, mas corresponderam ao processo em liberdade. A defesa deles não foi localizada.