CASSAÇÃO

Justiça italiana nega extradição de Carla Zambelli

Corte de Cassação anulou medida anterior que autorizava envio da ex-deputada brasileira

Por Redação ANSA Publicado em 22/05/2026 às 20:12
Corte de Cassação anulou medida anterior que autorizava envio da ex-deputada brasileira © ANSA/EPA

A Corte de Cassação, última instância da Justiça italiana, anulou a decisão anterior do Tribunal de Apelação de Roma que autorizava a extradição para o Brasil da ex-deputada federal Carla Zambelli no caso relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A ex-congressista, que possui cidadania italiana e está detida há quase um ano na penitenciária feminina de Rebibbia, foi condenada em dois processos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), somando mais de 15 anos de prisão.

Zambelli deixou o Brasil após ser condenada a 10 anos de reclusão pela invasão aos sistemas do CNJ. Posteriormente, em agosto, o Supremo também a condenou a mais cinco anos e três meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A Justiça italiana, no entanto, analisa os dois processos separadamente.

Após as autoridades italianas negarem o primeiro pedido de extradição, decisão considerada inesperada por observadores do caso, a Corte de Cassação de Roma deverá decidir no próximo mês se concederá ou não a extradição de Zambelli no segundo processo. Nesse caso, ela foi condenada por perseguir, armada, um apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

Apesar do esgotamento das vias judiciais, o processo ainda será encaminhado ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que terá a palavra final sobre a extradição da brasileira. O chefe da pasta terá 45 dias, contados a partir da publicação do acórdão da nova decisão judicial, para se manifestar favorável ou contrariamente ao pedido.

Um dos advogados de Zambelli, Alessandro Sammarco, afirmou que a defesa "se baseou nos inúmeros vícios processuais ocorridos no Brasil que, segundo o nosso ordenamento jurídico, são incompatíveis com a extradição". O representante da ex-parlamentar também mencionou uma piora no estado de saúde da ex-congressista devido à suposta falta de cuidados adequados.